sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Rito



O termo rito (do latim ritu) tem vários sentidos. Rito é um pouco diferente de ritual, dando continuidade ao mito. No sentido mais geral, é uma sucessão de palavras e atos que, repetida, compõe uma cerimônia (religiosa ou civil). Apesar de seguir um padrão, o rito não é mecanizado, pois pode atualizar um mito, mantendo ensinamentos ancestrais e sagrados.

É um conjunto de atividades organizadas, no qual as pessoas se expressam por meio de gestos, símbolos, linguagem e comportamento, transmitindo um sentido coerente ao ritual. O caráter comunicativo do rito é de extrema importância, pois não é qualquer atividade padronizada que constitui um rito. A palavra "rito" pode também designar tipo de velocidade no ritual do processo jurídico.

Tradição Cristã

Rito pode significar também um conjunto de fórmulas que caracterizam certa tradição cristã. Exemplos destes ritos litúrgicos são o Rito romano, o Rito ambrosiano, o Rito Bracarense, o Rito bizantino, Rito moçárabe etc.

O termo aplica-se também às 23 Igrejas particulares sui iuris da Igreja Católica, das quais a maior é a Igreja Católica Latina. O termo "rito" encontra-se usado no sentido de "Igreja particular" sui iuris: por exemplo, no documento do Concílio do Vaticano II Orientalium Ecclesiarum. São 14 as Igrejas particulares ("ritos" neste sentido) que usam o único rito bizantino litúrgico, enquanto a única Igreja Latina (ou "Rito" Latino) emprega vários ritos litúrgicos (Rito romano, Rito ambrosiano etc.).

Tradição chinesa

No pensamento tradicional chinês, muito influenciado pelo confucionismo, os ritos são os "costumes civilizados", as "regras morais" e os "bons costumes" que todo "homem de bem" deve cumprir, para que a sociedade se possa manter civilizada, próspera e harmoniosa. Segundo a filosofia de Confúcio, a prática sistemática e frequente dos ritos torna os seus praticantes pessoas civilizadas e morais, "homens de bem". Confúcio achava que os ritos, apesar de terem uma natureza meramente formal, são operantes e eficazes na transformação dos seus praticantes, que vão retendo, aos poucos, os valores morais que dão sentido aos ritos. Logo, os ritos, em si, têm somente um carácter cultural e civil.

Liturgia



A palavra liturgia (do grego λειτουργία, "serviço público" ou "serviço do culto") compreende uma celebração religiosa pré-definida, de acordo com as tradições de uma religião em particular; pode incluir ou referir-se a um ritual formal e elaborado (como a Missa Católica) ou uma atividade diária como as salats muçulmanas.

A liturgia é considerada por várias denominações cristãs, nomeadamente o Catolicismo Romano, a Igreja Ortodoxa, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Batista, a Igreja Metodista e alguns ramos (Igrejas Altas) do Anglicanismo e do Luteranismo, como um ofício ou serviço indispensável e obrigatório. Isto porque estas Igrejas cristãs prestam essencialmente o seu culto de adoração a Deus (a teolatria) através da liturgia. Para elas, a liturgia tornou-se, em suma, no seu culto oficial e público.

Etimologia e sentido primitivo da palavra

O vocábulo "Liturgia", em grego, formado pelas raízes leit- (de "laós", povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um carácter eminentemente público.

Na chamada Bíblia dos Setenta (LXX), tradução grega da Bíblia, o vocábulo "liturgia" é utilizado para designar somente os ofícios religiosos realizados pelos sacerdotes levíticos no Templo de Jerusalém. No princípio, a palavra não era utilizada para designar as celebrações dos cristãos, que entendiam que Cristo inaugurara um tempo inteiramente distinto do culto do templo. Mais tarde, o vocábulo foi adaptado, com um sentido cristão.

Significado cristão da liturgia

Para os católicos romanos, a Liturgia, é, pois, a atualização da entrega e sacrifício de Cristo para a salvação dos homens. Cristo sacrificou-se duma vez por todas, na Cruz. O que a liturgia faz é o memorial de Cristo e da salvação, ou seja, torna presente, através da celebração, o acontecimento definitivo do Mistério Pascal. Através da celebração litúrgica, o crente é inserido nas realidades da sua salvação.

Liturgia é antes de tudo "serviço do povo", essa experiência é fruto de uma vivência fraterna, ou seja, é o culto cristão, como que levar o fiel novamente para diante do Crucificado, logo diante de Deus. Não se trata de uma encenação uma vez que o mistério é contemplado em "espírito e verdade".

A Liturgia tem raízes absolutamente cristológicas. Cristo rompe com o ritualismo e torna a liturgia um "culto agradável a Deus", conforme preceitua o apóstolo Paulo de Tarso em Romanos 12,1-2.

Aprofundamento sobre a liturgia católica

Segundo a doutrina da Igreja Católica, a liturgia é a celebração do "Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal", sendo por isso "o cume para onde tendem todas as acções da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua força vital". Através deste serviço de culto cristão, "Cristo continua na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção". Mais concretamente, na liturgia, mediante "o exercício do sacerdócio de Cristo", "o culto público devido a Deus" é exercido pela Igreja, o Corpo místico de Cristo; e "a santificação dos homens é significada e realizada mediante" os sete sacramentos.

Aliás, "a própria Igreja é sacramento de Cristo, pois é através dela que hoje Jesus fala aos fiéis, lhes perdoa os pecados e os santifica, associando-os intimamente à sua oração" e ao seu Mistério Pascal. Esta "presença e actuação de Jesus" na liturgia e na Igreja são assegurados eficazmente pelos sacramentos, com particular destaque para a Eucaristia. Aliás, a Eucaristia, que renova o Mistério Pascal, é celebrada pela Missa, que é por isso a principal celebração litúrgica e sacramental da Igreja Católica. Para além da Missa, destaca-se também a Liturgia das Horas.

Para além do culto de adoração a Deus (latria), a liturgia, embora em menor grau, venera também os Santos (dulia) e a Virgem Maria (hiperdulia), apesar do culto de veneração a estes habitantes do Céu ser mais associado à piedade popular, que é uma outra forma de culto cristão.

Jesus, como Cabeça, celebra a liturgia com os membros do seu Corpo, ou seja, com a sua "Igreja celeste e terrestre", constituída por santos e pecadores, por habitantes da Terra e do Céu. Cada membro da Igreja terrestre participa e actua na liturgia "segundo a sua própria função, na unidade do Espírito Santo: os baptizados oferecem-se em sacrifício espiritual […]; os Bispos e os presbíteros agem na pessoa de Cristo Cabeça", representando-O no altar. Daí que só os clérigos (exceptuando os diáconos) é que podem celebrar e conduzir a Missa, nomeadamente a consagração da hóstia.

Toda a liturgia, nomeadamente a Missa, é celebrada através de gestos, palavras (incluindo as orações), canto, música, "sinais e símbolos", sendo todos eles "intimamente ligados" e inseparáveis. Alguns destes sinais são "normativos e imutáveis", como por exemplo os sacramentos, porque são "portadores da acção salvífica e de santificação". Apesar de celebrar o único Mistério de Cristo, a Igreja possui muitas tradições litúrgicas diferentes, devido ao seu encontro, sempre fiel à Tradição católica, com os vários povos e culturas. Isto constitui uma das razões pela existência das 24 Igrejas sui iuris que compõem a Igreja Católica.

A doutrina católica admite no culto litúrgico a presença das imagens sagradas de Nossa Senhora, dos santos e de Cristo, porque elas ajudam a proclamar a mensagem evangélica e "a despertar e a alimentar a fé dos fiéis". Também segundo esta lógica, a Igreja, à margem da liturgia, aceita e aprova a existência das variadíssimas expressões de piedade popular, que é o culto privado.

Apesar de a Igreja celebrar o Mistério de Cristo durante todo o ano, o seu culto litúrgico centra-se no Domingo, que é "o centro do tempo litúrgico […], fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico, que tem o seu cume na Páscoa anual". Por isso, baseando-se no primeiro mandamento da Igreja (guardar os domingos e festas de guarda), a Igreja Católica estipula que todos os católicos são obrigados a irem à missa em todos os domingos e festas de guarda. Aliás, esta obrigação está também presente nos Cinco Mandamentos da Igreja Católica.

Embora o culto católico não estivesse "ligado a nenhum lugar exclusivo, porque Cristo", e logo toda a Igreja, "é o verdadeiro templo de Deus", a Igreja terrestre tem necessidade de certos lugares sagrados onde ela "se possa reunir para celebrar a liturgia". Estes lugares, como por exemplo as igrejas, capelas e catedrais, são sítios de oração, "as casas de Deus e símbolo da Igreja que vive num lugar e também da morada celeste".

Objetos litúrgicos católicos

Alfaias: Designam todos os objetos utilizados no culto, como por exemplo, os paramentos litúrgicos.
Aliança: Anel utilizado pelos noivos para significar seu compromisso de amor selado no matrimônio.
Altar: Mesa onde se realiza a ceia Eucarística; ela representa o próprio Jesus na Liturgia.
Ambão: Estante onde é proclamada a Palavra de Deus. Simboliza o sepulcro vazio de Cristo, de onde parte a Boa-nova da Ressurreição.
Andor: Suporte de madeira, enfeitado com flores. Utilizados para levar as imagens dos santos nas procissões.
Livros litúrgicos: Todos os livros que auxiliam na liturgia: lecionário, missal, rituais, pontifical, gradual, antifonal.
Aspersório: Utilizado para aspergir o povo com água-benta. Também conhecido pelos nomes de aspergil ou asperges.
Bacia: Usada com o jarro para as purificações litúrgicas.
Báculo: Bastão utilizado pelos bispos. Significa que ele representa os apóstolos pastores.
Batistério: O mesmo que pia batismal. É onde acontecem os batismos.
Bursa ou bolsa: Bolsa quadrangular para colocar o corporal.
Caldeirinha: Vasilha de água-benta.
Cálice: Taça onde se coloca o vinho que vai ser consagrado.
Campainha ou Sineta: Sininhos tocados pelo acólito(ou coroinha) no momento da consagração.
Castiçais: Suportes para as velas.
Cibório: recipiente onde se guarda o Corpo de Cristo.
Círio Pascal: Uma vela grande onde se pode ler ALFA e ÔMEGA (Cristo: começo e fim) e o ano em curso. Tem grãos de incenso que representam as cinco chagas de Cristo. Usado na Vigília Pascal, durante o Tempo Pascal, e durante o ano nos batismos. Simboliza o Cristo, luz do mundo.
Colherzinha: Usada para colocar a gota de água no vinho e para colocar o incenso no turíbulo.
Conopeu: Cortina colocada na frente do sacrário.
Corporal: Pano quadrangular de linho com uma cruz no centro; sobre ele é colocado o cálice, a patena e o cibório para a consagração.
Credência: Mesinha ao lado do altar, utilizada para colocar os objetos do culto.
Crucifixo: Fica sobre o altar ou acima dele, lembra a Ceia do Senhor é inseparável do seu Sacrifício Redentor.
Cruz Peitoral: Crucifixo dos bispos.
Cruz Processional: Cruz com um cabo maior utilizada nas procissões.
Esculturas ou imagens: Existem nas Igrejas desde os primeiros séculos. Sua única finalidade litúrgica é ajudar a mergulhar nos mistérios da vida de Cristo. O mesmo se pode dizer com relação às pinturas.
Galhetas: Recipientes onde se coloca a água e o vinho para serem usados na Celebração Eucarística.
Genuflexório: Faz parte dos bancos da Igreja. Sua única finalidade é ajudar o povo na hora de ajoelhar-se.
Hóstia Magna: É utilizada pelo celebrante. A palavra significa "vítima que será sacrificada". É maior apenas por uma questão de prática. Para que todos possam vê-la na hora da elevação, após a consagração.
Incenso: Resina de aroma suave. Produz uma fumaça que sobe aos céus, simbolizando as nossas preces e orações à Deus.
Jarro: Usado durante a purificação.
Lamparina: É a lâmpada do Santíssimo.
Lavatório: Pia da Sacristia. Nela há toalha e sabonete para que o sacerdote possa lavar as mãos antes e depois da celebração.
Lecionário: Livros que contém as leituras da Missa. Lecionário Dominical (leituras dos Domingos e solenidades)Lecionário Semanal(leituras da semana); lecionário Santoral (leitura dos dias de santos e festas).
Luneta: Objeto em forma de meia-lua utilizado para fixar a hóstia grande dentro do ostensório.
Manustérgio: Toalha usada para purificar as mãos antes, durante e depois do ato litúrgico.
Matraca: Instrumento do madeira que produz um barulho surdo. Substitui os sinos durante a semana santa.
Missal: Livro que contém o ritual da missa, oração eucarística menos as leituras.
Naveta: Objeto utilizado para se colocar o incenso, antes de queimá-lo no turíbulo.
Ostensório ou Custódia: Objeto utilizado para expor o Santíssimo, ou para levá-lo em procissão.
Pala: Cobertura quadrangular para o cálice.
Partícula: Pão Eucarístico.
Pátena: Prato onde é colocada a Hóstia Grande que será consagrada e apresentada aos fiéis. Acompanha o estilo do cálice, pois é complemento.
Píxide: O mesmo que cibório.
Pratinho: Recipiente que sustenta as galhetas.
Relicário: Onde são guardados as relíquias dos santos.
Sacrário: Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecida como TABERNÁCULO.
Sanguíneo: pano retangular que serve para a purificação dos vasos sagrados (cálice, pátena e âmbulas).
Santa Reserva: Eucaristia guardada no Sacrário.
Sede: Cadeira no centro do presbitério, usada pelo celebrante, que manifesta a função de presidir o culto. Também denominada de cátedra
Tabernáculo: O mesmo que Sacrário.
Teca: Pequeno recipiente onde se leva a comunhão para pessoas impossibilitadas de ir a missa.
Turíbulo: Recipiente de metal usado para queimar o incenso.
Véu do Cálice: Pano utilizado para cobrir o cálice.

Cores litúrgicas católicas

O altar, o tabernáculo, o ambão, a estola e a casula usadas pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor, que varia ao longo do ano litúrgico. Na verdade, a cor usada num certo dia é válida para a Igreja em todo o mundo, que obedece a um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia, indicada pelo calendário litúrgico, fica estabelecida uma determinada cor (a excepção vai para as igrejas que celebram naquele determinado dia o seu santo padroeiro).

Desta forma, concluiu-se que as diferentes cores possuem algum significado para a Igreja: elas visam manifestar externamente o caráter dos Mistérios celebrados e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do Ano Litúrgico. Manifesta também a unidade da Igreja. No início havia uma certa preferência pelo branco. Não existiam ainda as chamadas cores litúrgicas. Estas só foram fixadas em Roma no século XII. Em pouco tempo, devido ao seu alto valor teológico e explicativo, os cristãos do mundo inteiro aderiram a esse costume, que tomou assim, caráter universal. As cores litúrgicas são seis:

Branco
- Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor, nas Festas da Virgem Maria e dos Santos, excepto dos mártires. Simboliza alegria, ressurreição, vitória e pureza. Sempre é usado em missas festivas.

Vermelho
- Lembra o fogo do Espírito Santo. Por isso é a cor de Pentecostes. Lembra também o sangue. É a cor dos mártires e da sexta-feira da Paixão e do Domingo de Ramos. Usado nas missas de Crisma, celebradas normalmente no dia dos Pentecostes, e de mártires.

Verde
- Usa-se nos domingos normais e dias da semana do Tempo Comum. Está ligado ao crescimento, à esperança.

Roxo
- Usado no Advento. Na Quaresma também se usa, a par de uma variante, o violeta. É símbolo da penitência, da serenidade e de preparação, por lembrar a noite. Também pode ser usado nas missas dos Fiéis Defuntos e na celebração da penitência.

Rosa
- O rosa pode ser usado no 3º domingo do Advento (Gaudete) e 4º domingo da Quaresma (Laetare). Simboliza uma breve pausa, um certo alívio no rigor da penitência da Quaresma e na preparação do Advento.

Preto
- Representa o luto da Igreja. Usa-se na celebração do Dia dos Fiéis Defuntos e nas missas dos Fiéis Defuntos.

Aúra-Masda



Ahura Mazda, Ormasde, Ahura Mazda ou Ormuz era o princípio ou deus do bem, segundo o zoroastrismo e a mitologia persa. Vivia em luta constante contra seu irmão gêmeo, o princípio ou deus do mal conhecido como Arimã. Ambos eram filhos do primeiro deus criador, Zurvan (o tempo). Arimã, como filho primogênito, era mais poderoso que Aúra-Masda e teria um reinado de mil anos. Porém, após esse período, ele seria derrotado por Aúra-Masda.

Aúra-Masda também era o deus do céu, da sabedoria, da abundância e da fertilidade. Podia profetizar. Era defendido por um grupo de espíritos chamados de Amshaspends. Era pai de Atar, o fogo do céu; de Gayomart, o primeiro ser humano mortal (o primeiro ser humano, segundo a mitologia persa, havia sido Yima, que era imortal), criado a partir da luz e que teria dado origem a todos os demais seres humanos; e de Mitra, deus da sabedoria, da guerra e do sol.

Etimologia

"Aúra-Masda" é um termo sânscrito que significa "Senhor Sábio". "Ormasde" também é derivado do sânscrito.

Origens do mito

Era um dos deuses existentes na cultura indo-iraniana, pré-zoroastriana, politeísta, com muitas semelhanças à Índia Védica, dado que as populações que habitavam tanto o atual Irã quanto a atual Índia descendiam de um mesmo povo, os arianos (ou indo-iranianos). À época em que Zaratustra (em grego, "Zoroastro") nasceu, no século VII a.C., os seres espirituais naquela sociedade enquadravam-se em duas classes, ambas de características distintas: os ahuras e os daivas (em sânscrito: deivas, "deuses").

Antes de desaguar no que viria a ser o zoroastrismo, aquela religião politeísta parte para um dualismo. Os ahuras ou asuras passam a ser vistos como seres que escolheram o bem e os daivas, o mal. Na Índia, o percurso seria o inverso. Zaratustra, segundo uma visão que ele teve, eleva Ahura Mazda ("Senhor Sábio") ao estatuto de divindade suprema, após Vohu Mano, a "Boa Mente", aparecer para ele e revelar-lhe que Ahura Mazda era o deus supremo que tudo governava. Dessa divindade suprema, teriam emanado seis espíritos: os Amesas Spenta ("Imortais Sagrados"), que auxiliam Aúra-Masda na realização de seus desígnios. Eram eles: Vohu-Mano ("Espírito do Bem"); Asa-Vahista ("Retidão Suprema"); Khsathra Varya ("Governo Ideal"); Spenta Armaiti ("Piedade Sagrada"); Haurvatat ("Perfeição") e Ameretat ("Imortalidade").

Juntos, Aúra-Masda e esses entes travam luta permanente contra o princípio do mal, Angra Mainyu (ou Arimã), por sua vez acompanhado de entidades demoníacas: o mau pensamento; a mentira, a rebelião, o mau governo, a doença e a morte. Seu símbolo era o sol e o fogo, este último atuando como mensageiro entre os homens e Aúra-Masda. Seu profeta foi chamado de Zoroastro (ou Zaratustra) e foi autor do livro sagrado do mazdeísmo, o Zend-Avesta. Mazda terá nascido a 25 de Dezembro.

Zurvanismo



Zurvanismo é um ramo extinto do zoroastrismo que teve a divindade Zurvan como seu princípio (divindade criadora). O Zurvanismo também é conhecido como zoroastrismo zurvanita. Zurvan é o nome de uma divindade persa (deus) e também de vários outros sistemas religiosos.

No Zurvanismo, Zurvan é o deus do tempo (e espaço) infinito e é também conhecido como a divindade ( o "um", o "único") da matéria. Zurvan é o pai dos dois opostos que representam o bom deus Ahura Mazda e o mal Angra Mainyu. Zurvan é considerado como um deus neutro, sem sexo e paixão, é aquele para quem não há distinção entre bom ou o mau. Zurvan é também o deus do destino, a luz e a escuridão, uma versão normalizada da palavra, que em persa médio aparece à vezes como Zurvan, Zruvān ou Zarvān. O nome deriva do persa médio avéstico zruvan-, "tempo" ou "velhice".

Origem e contexto histórico

Embora os detalhes da origem e desenvolvimento da Zurvanismo permanecem obscuros, é geralmente aceito que Zurvanismo era um ramo maior do Zoroastrismo que a doutrina da Zurvan foi uma resposta sacerdotal para resolver a inconsistência percebida nos textos sagrados e que esta doutrina tenha sido introduzida na segunda metade da era Aquemênida.

O Zurvanismo desfrutou de sanção real durante a era Sassânida (226-651), mas há vestígios de que permaneceram além do século X. Embora o Zurvanismo da era sassânidas foi certamente influenciada pela filosofia helênica, ainda não se sabe se Zurvan Zoroastro era uma adaptação de um antecedente ou divindade estrangeira do temcpo (em grego Chronos). Os primeiros vestígios de que o zoroastrismo alcançou o oeste são notas não zoroastristas de crenças normalmente Zurvanitas, o que levou os estudiosos europeus a concluirem que o zoroastrismo foi uma religião monista, um assunto de muita controvérsia entre os estudiosos e praticantes contemporâneos da fé. O Zurvan do Irã está relacionada com a palavra em sânscrito sarva e carrega um campo semântico semelhante ao descrever uma divindade monista.

Declínio

O Zurvanismo tornou-se a doutrina dominante do Estado sob os sassânidas que governaram a Pérsia na época da revelação do Islã e acompanhada pelo surgimento de outras doutrinas radicalmente dualistas na Pérsia. Após a queda do Império Sassânida, no século 7, o zoroastrismo foi gradualmente suplantado pelo islamismo. O primeiro continuou a existir, mas em um estado cada vez mais dizimado e os demais zoroastristas parecem ter gradualmente retornado à doutrina mazdeísta prescrita por Zoroastro nos Gathas. Por volta do século 10, o Zurvanismo já tinha deixado de existir, deixando o mazdaismo como a única forma restante do zoroastrismo.

Avesta


Avesta, da palavra pálavi p(y)stʾk/abestāg  às vezes aportuguesado como Abisteco, faz parte das escrituras sagradas do zoroastrismo, que são os textos do Avesta e os textos do Pálavi.

O Avesta, incorretamente chamado Zend-Avesta, é, assim como a Bíblia, uma coleção de livros sagrados que foram escritos durante um longo período e em diferentes idiomas. A principal diferença para a Bíblia é que o Avesta se parece com um livro de orações e possui poucas narrativas.

Segundo o orientalista alemão Martin Haug, os sacerdotes zoroastristas inventaram a história de que seus livros sagrados remetiam a Abraão, o patriarca judeu, com o objetivo de escapar da perseguição dos maometanos.

Gathas



Os Gathas consistem em 17 cânticos que acredita-se terem sido compostos por Zaratustra, são considerados os textos mais sagrados na fé do Zoroastrismo. Os Gathas consistem de 17 cânticos, e são também divididos em cinco grupos, de acordo com a sua métrica original.

Os primeiros sete cânticos são chamados de Ahuna-vaiti, os Gathas que transmitem Ahuna, o Princípio da Livre Escolha. Os quatro cânticos seguintes são Ushta-vaiti, os Gathas que transmitem Ushta. Os quatro cânticos da frente são Spenta Mainyu, os Gathas da Mentalidade Progressista. O cântico em seguida é Vohû khshathra, o Gatha da Boa Organização. O cântico final, incluindo o  Airyêmâ ishyô, é Vahishtâ-Îshti, o Gatha do Melhor Desejo.

Preservação e sobrevivência do Gathas

A sobrevivência do Gathas até os dias de hoje é resultado de uma história triste com final feliz.

Quando a dinastia Sassânida ganhou a coroa Kayanian, no ano de 224 aD na Pérsia, a língua de Zaratustra tinha se tornado desconhecida e misteriosa.

O Gathas havia sido incorporado numa coleção de escritos posteriores agora conhecidos como Avesta. Esse material só sobreviveu traduzido, comentado e interpretado na língua pahlavi dos sassânidas.

A queda do Império Sassânida no ano de 630 aD e o subseqüente eclipse da religião zoroastriana fez dura a vida dos que continuaram a tradição. Os livros religiosos foram atacados com fúria pelos conquistadores árabes sobrando do Avesta apenas um terço ou menos. Felizmente o Gathas sobreviveu a essa catástrofe.

O contato continuado entre os zoroastrianos que haviam se refugiado na Índia e os que ficaram no Irã entre os séculos XV e XVIII aD, seguido do interesse em estudos orientais por parte de eruditos europeus, ajudou a devolver ao mundo as palavras de Asho Zaratustra. A recuperação do Gathas é relativamente recente. A tradução e os estudos do Gathas hoje disponíveis têm mais ou menos uma centúria. Devemos muito dessa recuperação à curiosidade e paciência dos eruditos ocidentais, orientalistas.

O Gathas no Avesta

A posição dada ao Gathas no Avesta testifica sua importância no conjunto. A saudação, que o introduz, chama de ideais os seus pensamentos e palavras e pede que sejam proclamados. Toda vez que os escritores subseqüentes ao Avesta mencionam o Gathas o fazem com grande deferência. Os cânticos de Zaratustra são apontados como orações rituais a serem recitadas em momentos especiais e tidas como inspiradas por Deus.

Amesha Spenta



Amesha Spenta ("Imortal Sagrado" em avestano) é o nome que recebe no zoroastrismo cada uma das seis ou sete emanações de Ahura Mazda ("Senhor da Sabedoria", Deus).

No pensamento religioso de Zaratustra, os Amesha Spentas surgem de uma forma abstracta. Os Gathas, hinos religiosos compostos por Zaratustra, escritos numa linguagem poética que dá lugar a variadas interpretações, parecem sugerir que Ahura Mazda é o pai de Spenta Mainyu ("Espírito Santo"), Asha Vahishta ("Retidão Suprema", "Ordem"), Vohu Manah ("Bom Pensamento") e de Spenta Armaiti ("Piedade Sagrada"), quatro dos Amesha Spentas. Em relação aos outros três, Khshathra Vairya ("Governo Ideal"), Haurvatat ("Perfeição") e Ameretat ("Imortalidade"), eles aparecem como qualidades de Ahura Mazda.

No decurso da história do zoroastrismo, os Amesha Spentas foram personificados, sendo cada um associado a um aspecto da criação divina. Alguns investigadores ocidentais compararam-nos aos anjos, mas esta visão não é completamente correcta, uma vez que os Amesha Spentas não são portadores de mensagens divinas. Alguns investigadores defendem que a angelologia do judaísmo desenvolveu-se com maior profundidade devido aos contactos com o zoroastrismo no contexto do cativeiro na Babilónia (séculos VI e V a.C.).

Entre os Amesha Spentas, três são vistos como masculinos e três como femininos. Particularmente importantes são Asha Vahishta e Vonu Manah. Asha Vahishta está associado ao fogo, o mais importante símbolo sagrado da religião zoroastriana, bem como à justiça e à verdade. Vonu Manah ("Bom Pensamento") encontra-se ligado à sabedoria e ao amor. Segundo o zoroastrismo, Vonu Manah apareceu a Zoroastro enquanto este participava num ritual pagão num rio e levou-o até à presença de Deus e dos outros Amesha Spentas, ocasião na qual lhe foi revelada a nova mensagem religiosa.