quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Fenômeno Luciferiano Moderno


Seguindo os pensamentos de Guénon, e até certo ponto Evola, encontramos mentes que seguiram contra a definição moderna do tradicionalismo, e poderíamos comprender a tradição em termos de transmissão - a mesma idéia que é encontrada dentro da kabbalah, como uma recepção dos segredos verdadeiros dentro da lei divina que penetra a criação e Deus. Uma tradição sagrada que é legada na forma de uma transmissão, precisa seguir os dois eixos na cruz, sendo tanto vertical como horizontal, ou seja, enraizada na visão mundial tradicional.

Isso significa que uma tradição precisa abraçar uma fundação sólida, um vínculo espiritual que se estende do celeste ao terestre e, por sua vez, é sujeita a uma continuação de natureza horizontal. Por extensão, isso significa que uma tradição permanecerá viva e sendo vista como fluida e mutável, devido à interação dinâmica entre o espírito e o homem. Uma tradição, no verdadeiro sentido da palavra, é sustentada e informada pelos sábios espíritos e não pelas débeis opiniões, baseadas nos sentimentos e psique humanas. Uma tradição que visa a realização da interação entre o eixo vertical e horizontal da cruz não será uma tradição genuína, mas uma pseudo-tradição, mais provavelmente representando as ruas sujas da porta de trás da contra-iniciação propriamente. Uma Tradição é a uela transmitida através das fases da humanidade, e carrega com ela um distinto caráter transcendente. Dentre os ocultistas contemporâneos, a palavra tradição parece ser usada a fim de legitimar as fabricações reconstrutivistas, geralmente tomada para fora do contexto e apresentada em uma adaptação de fatores obscuros, freqüentemente extraídos do contexto e apresentados em uma adaptação antinomiana, dando a matiz de que é uma tradição sagrada com uma transmissão sagrada genuína. Então, levando isso em conta, como deveríamos entender o significado de tradição, e como podemos separar os impostores e os genuínos?

Um fenômeno particularmente interessante no ocultismo contemporâneo, é aquele freqüentemente chamado de tradição de Luciferiana, normalmente visto como um culto sinistro da luz caída, que se deita sobre a declaração de uma presidência de historicidade que sai fora dos círculos do tempo propriamente.

Observando somente alguns dos expoentes modernos do Luciferianismo, vemos uma paisagem de sinistra natureza, enfocada numa revolta antinomiana contra o cristianismo e uma crença em deidades malévolas do passado, usadas como uma evidência de uma linhagem de sabedoria tradicional Luciferiana. Em outras instâncias, temos a falta de contexto, como nos trabalhos de Michael W. Ford, talvez o mais popular expoente ocultista contemporâneo da "tradição luciferiana". Tais instâncias, de se sair fora do contexto e reinstalar um mistério em um formato moderno, são evidentes até na página dedicatória de um de seus livros, The Book of the Witch Moon (Succubus Inner publications, 2003), no qual diz ser Hécate um sinônimo de Lilith e Diana e, desse modo, a noiva do Caos e da escuridão. Em estudos excelentes como os de Johnston (Restless Dead, California University Press, 1999) por exemplo, vemos a forma pela qual ocorreu a transformação de Hécate, de protetora divina das parteiras e virgens no florescer da feminilidade à sua relação com uma classe específica de fantasmas malignos, daquelas que não conseguiram dar à luz a uma criança. Isso constituiu Hécate como deusa dos fantasmas e não lhe concedeu um tipo de aliança profana com forças escuras e caóticas de natureza sinistra e antinomiana. Além disso, a conexão entre Hécate e Lilith é completamente errada, tanto em termos de elementos, quanto em origem e atividade. Que Hécate possui relações sutis e importantes com Diana é verdade, mas ainda mais com Ártemis, um fato pouco conhecido. Além disso, também precisamos entender a visão mundial onde Hécate foi cultivada. A matéria não é tão simples como dizer que ela vaga pelos cemitérios com os cachorros lhe protegendo, e aqui esticá-la ao papel de deidade sinistra e diabólica que serve como protetora para a tradição luciferiana moderna. Realmente, não há nada tradicional sobre o trabalho de uma figura como Ford, apenas um processo de cópia e cola através do tempo e cultura, em um universo pessoal horrendo, que é marcado com rótulos de tradição que, por sua vez, podem estar eficazmente transmudados em uma loja aos muitos buscadores lá fora que estão cada vez mais cansados da modernidade, e buscam por um algum tipo de liberdade. E o que é mais atraente, que a liberdade encontrada no poder e domínio absolutos? Quando olhamos de perto a loja que Sr. Ford disponibilizou, vemos por exemplo na seção de estátuas luciferianas Lilith, Satanás, Ahriman e Pazuzu. Acho que é só uma questão de tempo antes que Exus e Pomba Giras de Kimbanda sejam transformados em representantes satânicos da mesmíssima tradiçãoluciferiana encabeçada pelo Sr. Ford. Afinal, Lilith, Pazuzu e Ahriman são todas deidades satânicas com o espaço proeminente na tradição luciferiana. Novamente, temos essa total falta de contexto vagando na mente do Sr. Ford. Satanás é, estritamente falando, uma função jurídica e espiritual originando-se da
Babilônia - uma função que se transformou em deidade através do cristianismo. Igualmente Pazuzu e Lilith, espíritos sumerianos do ar que foram adotados dentro da crença judaica. Mas aqui também precisamos ficar cientes das causas da transição pela qual Lilith passou nas crenças pagãs judaicas, compreender de que modo ela era vista em meio aos rabinos, e o que eles realmente pretendiam quando se referiram às emanações na esquerda. Como pessoas tão anti-cristãs, ao mesmo tempo podem advogar um culto à nêmesis cristã, beira o ridículo e certamente seria um indício que a tradição em questão é nada além de uma pseudo-tradição ou até pior, uma tradição impostora manifestando os piores sintomas do ocultismo contemporâneo. Seu trabalho mais recente, o tarot luciferiano, é completamente triste de todas as formas: carente de fundação, de tradição, e de substância – é carente geral – e se posso dizer, o sintomas inquietantes da decadência no ocultismo contemporâneo ficam evidentes e visíveis até para cegos!

Vemos constantemente essa confusão entre Satanás e Lúcifer, como sendo o mesmo, e igualmente como protetores do caminho sinistro. Ao mesmo tempo em que os protagonistas da tradição luciferiana moderna possuem o enfoque fixo no caminho sinistro, com todo o seu tradicionalismo corrompido e surto antinomiano ao coração da modernidade, eles também são contrários a si próprios. É só ver o que a Igreja de Lúcifer declara em sua carta introdutória.

"Escuridão é algo que alguns acreditam ser uma faceta do Caminho da Mão Esquerda. Para alguns grupos, isso pode ser verdade. Para a Igreja de Lúcifer, não é. Lúcifer, a Estrela da Manhã, origina-se do Latim, esta a definição completa: LUZ: Lúcifer- fera-ferum [portador-da-luz, trazendo-luz]; m. como subst. [A estrela da manhã]. Agora, sendo uma parte do Caminho da Mão Esquerda, busca-se pelo conhecimento e cria-se sua própria realidade pessoal via magick. Quando se estuda magick, você estuda a si próprio. A meta final é en-LIGHT-enment [NT: Iluminação].... Escuridão, em termos de significado de mal, ruim, ou maligno, é um ideal cristão. Escuridão, em realidade, é ignorância. A luz é meramente conhecimento e conhecer. Trazer 'luz' ao assunto é adicionar conhecimento ao seu cérebro, como o oposto de se manter ignorante e na escuridão. Esta é a verdade sobre escuridão."

Sim, a Luz na escuridão, o Yud no útero cósmico, mas a escuridão, o útero propriamente, é ignorância e então precisamos criar nossa realidade pessoal "mágicka", e marcar a herança de Crowley no uso de um 'k' extra em magia. É interessante ver que a iluminação a qual essas pessoas se referem é sobre a criação de suas próprias realidades pessoais, usando 'magick'. Da mesma forma o uso da palavra cérebro, que é a faculdade principal para percepção mágica; e o intelecto humanóide, o assento dos poderes e expansão. Não há qualquer menção de espírito, da alma da interconexão através da corrente dourada do ser, nenhum sentido de conexão a qualquer coisa exceto ao seu egoísmo, sua singularidade, seu individualismo, que abre caminho para opiniões e valores baseados em colunas derretidas de nenhuma fundação tradicional. O termo tradicional é meramente um trapaceiro, um rótulo usado a fim de se parecer sério, para dar a matiz de providência.

Ainda outro exemplo, é a Igreja Neo-Luciferiana Dinamarquesa, que declara ser uma Igreja Gnóstica - o que, de acordo com site da web, combina o Luciferianismo Gnóstico tradicional com o pensamento moderno. Aqui a matéria verdadeiramente se extravia. Como qualquer tradicionalista irá objetar, os pensamentos modernos são virtualmente incompatíveis com uma visão mundial tradicional. Indicar que sempre existiu uma tradição de Luciferianismo Gnóstico já é impor os desejos de alguns que assim fosse, em certas seitas Gnósticas. Novamente vemos a tendência contemporânea de se sair fora do contexto e agarrar o que se adapta melhor à fantasia. Isso é chamado de ecletismo. A mesmíssima Igreja também oferece ordenação eclesiástica, e declara abertamente que a discussão das verdades (acredito que em um sentido mais universal), eles deixam aos vigaristas do ocultismo moderno. Isso, porque esta Igreja luciferiana tradicional usa a psicologia e também uma compreensão de mecanismos sociais, a fim de habilitar seus alunos a serem bem sucedidos no mesmo mundo moderno rejeitado pelos tradicionalistas. Igualmente, o alvo da Igreja é o de libertar as pessoas, fazê-las fortes e conhecedoras. Eu questiono: que liberdade, que conhecimento e que força? Lúcifer se tornou um símbolo do anjo rebelde, que na tradução moderna se transformou no antinomiano e belo guerreiro contra a tirania, o guardião ardente do individualismo e ganho pessoal. Estamos novamente enfrentando o problema de se sair do contexto e a reivindicação - e só declarar algo porque isso tempera os sentimentos e assim, através do sentimento, fazer uma criação na mente. O mesmo caminho oposto da forma tradicional, onde se executa o destino conforme o eixo vertical e horizontal na encruzilhada do ser. Uma visão de mundo tradicional aceita como fato indisputado que criação é uma matriz viva e interativa de empatia e antipatia de relações, em uma grande diversidade de cores e variações. Desde que a visão mundial tradicional ficou perdida durante a era da iluminação, e foi sacrificada no altar do progresso, somos deixados com a idéia de que progresso é sempre algo bom, que a sabedoria fica antiquada, que o homem moderno sabe melhor que seus predecessores. Hoje temos o psicologismo sobre os caídos e arquétipos deslocados, conclaves malignos na psique humana e relações sociais que formam a moral, a ética e as crenças – deste modo o ocultismo contemporâneo, e igualmente o fenômeno Luciferiano moderno, são coloridos por tais fatores.

O quão morbidamente deslocadas as tendências nos fenômenos luciferianos modernos estão em relação à Tradição, em seu ponto justo e perene ao longo da via sacra é, novamente, melhor representado pelos trabalhos de um Michael Ford, de seu webshop luciferiano, onde você pode emcontrar os seguintes itens: o primeiro, um conjunto de runas pintadas em vidro negro, que de repente é matéria para interpretações Vampíricas e Luciferianas. O segundo, o tarô, é talvez o que coroa as realizações dessa figura desorientada.

`Conjunto de pedras rúnicas em vidro negro - o antigo futhark. Estas pedras rúnicas são bonitas para adivinhação ou pontos de foco iniciático. As letras rúnicas aqui vêm com instruções tradicionais para adivinhação, mas também interpretações Vampíricas e Luciferianas de muitas das runas.'

`Criado por Michael W. Ford & Nico Claux, este deck completo de 78 cartas apresenta as várias formas do Adversário ao longo do tempo. Explore o "verso" do imaginário do tarô via o "Espírito do Adversário," conforme expresso pelo Tarô Luciferiano. Este baralho foi projetado pelo autor de Luciferian Witchcraft, Michael W. Ford, desenhado para explorar o "caminho da mão esquerda", o Tarô Luciferiano examina os efeitos psicologicamente liberados de se chegar cara a cara com nosso Lado Escuro. Perfeito para estudo, meditação e ritual, o baralho também pode ser uma ferramenta poderosa para franqueza, sem leituras cheias de estruturas limitadoras'

Aqui estamos novamente no centro da pseudo-tradição, apresentada pelas avenidas do `Espírito do Adversário', assim como ele revela `o verso do tarô' e se esquece completamente da distorcida meta, ao produzir a 'liberação psicológica para o nosso Lado Negro'. De todos os possíveis tarots ruins produzidos no século XXI, este é claramente aquele que vandaliza a tradição do tarô mais violentamente, com tal atualização pavorosa e ridícula atualização dentro de uma humilhação pop-Vampirística, completamente inútil, a menos que você tenha um gosto para o reino glorificado da fantasia decadente, deslocado completamente, em todos os sentidos, de qualquer forma de poder, exceto o poder do comercialismo e superficialidade. É um sintoma triste que está emergindo, este antinomianismo que vê a fantasia e idiotice como dons espirituais elevados e exaltados; essa confusão com o mundo cerebral e o mundo de confusão e fantasia, que se erguem do sentimentalismo, e a atmosfera neo-gótica que emerge em uma forma ocultista. Mas ao lado desta feiúra, qual é o propósito com tais deformidades da tradição, que vemos emergir hoje em uma velocidade cada vez maior?

Guénon comenta estes fenômenos de nossa era, o ciclo negativo de Manvantara que nos levará a Pralaya ou aniquilação na Noite de Brahma. Assim, ele vê que as forças caóticas e negativas da escuridão exterior ocorrem com freqüência cada vez maior, explodindo através dos muros da santidade, poluindo a tradição e trazendo a distorção para esta era de tal modo que vida humana é despedaçada com negatividade, que por sua vez gera a confusão e inspira uma caça pelo `verdadeiro self', enquanto nos torna cada vez mais cegos. Pouco fazem os representantes do fenômeno luciferiano moderno, que insistem em chamar a isso de tradição, enquanto representam escuridão destrutiva que vaza pelos muros e corrompem a tradição. A Sura 19 de Al Quran fala sobre como Iskandar criou o grande muro de ferro para conter as forças destrutivas de Yajuj e Majuj, ou Gog e Magog, na referência Bíblica. A mesma idéia é expressa na mitologia Persa, relacionada à montanha El Burz, que é um fortaleza contra estas forças caóticas e antinomianas que estas pessoas insistem em convidar para o mundo. Como a 22ª Sura diz, Yajuj e Majuj irão em algum momento encontrar um caminho para atravessar o muro, e é neste âmbito que deveríamos visualizar o vandalismo da tradição pelo relativismo moderno da pseudo-tradição luciferiana.

Dentro desta veia maior do luciferianismo contemporâneo, encontramos especialmente a importância de Lilith, assim como outras deidades obscuras tais como Pazuzu e naturalmente Babalon, Baphoment e recentemente Exu, em um conglomerado de deidades abraçadas sob uma unificação superficial confusa da escuridão, onde uma categoria geral é imposta sobre eles. Então, vemos o nascimento da `bruxaria luciferiana' apresentada como uma `tradição', enquanto a verdade é que não existe nem luciferianismo, nem bruxaria, e certamente, nem uma expressão tradicional de qualquer coisa digna desses nomes. A apresentação nublada e obscura de todos os tipos de `filosofia negra' é velada, apresentada nas mais ridículas formas, e freqüentemente usada como defesa ou explicação para a libertação do reino da obsessão e corrupção dentro da depreciação individual propriamente. Isto, por sua vez, se abre para a `a liberdade profética', onde alguns trabalham com, por exemplo, Babalon, o que automaticamente dá à pessoa em questão o direito de agir como seu profeta e sacerdote, nem mesmo refletindo sobre os significados mais profundos deste motivo Bíblico, mas simplesmente vendo-a como uma prostituta carnal. Essa tomada de liberdade antinomiana também traz uma liberdade epistemológica e etimológica para definir as deidades, idéias conceitos de forma a caber em qualquer fantasia - como a existência verdadeiramente distorcida que abriu um templo virtual para Quimbanda Esotérica, declarando que Eshu (que é um Orisa cubano e não tem nada a ver com Exu de kimbanda) o chamou para ser um sacerdote de Quimbanda Esotérica, declarando que a palavra Quimbanda é uma "palavra angolana que significa `feiticeiro sodomítico'". Isso está completamente errado, não somente porque não existe tal coisa como a `palavra angolana', desde que existem vários dialetos nativos na Angola – mas também porque seu sincretismo extraviado entre Nuit, Pomba Gira, Babalon e Lilith, indica uma carência completa de fundação e um vôo dentro de alguma fantasia. Todos os tipos de interpretações estranhas são justificadas através de revelações, visões e canalizações – mas ninguém parece se dar ao trabalho de estabelecer uma base para essas visões da escuridão. Estas ferramentas são muito freqüentemente usadas para justificativar as construções de uma forma degenerada de psicanálise ocultista, e devemos questionar se realmente pertencem à dimensão de mistério e tradição.

Claramente o fenômeno luciferiano moderno é uma construção podre, que posa como uma tradição, uma pretensão, e portanto uma pseudo tradição, mas chego a ver o uso dessas manifestações repugnantes no ocultismo contemporâneo: elas servem como pólos para atraírem as pessoas de mente similar, a um dado lugar e em um desígnio maior, onde é estabelecido o pulso da corrupção e o fedor da podridão. E claramente, como Al Arabi disse, este é o papel de Iblis, concretizar Toda a Possibilidade no Grande Desígnio de Allah. É intrigante ver que um dos muitos nomes divinos é Al-Mudill, `O Desencaminhador', que é o contraste necessário para a revelação da Tradição Verdadeira de Din Al-Haqq e, através disto, todas as coisas são misteriosamente reveladas pelos seus opostos. O paradoxo das maravilhas é este: que todos os caminhos são o Caminho Reto e não existe nada na existência que não seja retidão. O horizonte tortuoso do arco é sua própria retidão e tudo está bem com o mundo. Ao invés de irritação ao observar como impurezas e a corrupção vazam profanando a tradição em grande velocidade, também podemos ver o quão claras se fazem as luzes centrais das Verdadeiras tradições dentro da escuridão ardente, gerando um surpreendente contraste - e é na luz infinita da tradição eterna que devemos focar nosso atenção.

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

As diversas visões de Lúcifer


Gregos e Romanos

Lúcifer vêm do latim (lux + ferre) e é denominado muitas vezes como sendo a Estrela da Manhã. Sua primeira representação adotando este nome pode ser encontrada na Roma Antiga, onde originalmente era utilizado para denominar o planeta Vênus quando este anunciava o nascimento do Sol. Porém esta idéia de um Deus da Luz associado com a Estrela da Manhã ao invés da Aurora data de uma época muito mais remota, sendo utilizada por Sócrates e Platão. Segundo a Edith Hamilton's Mythology, encontramos nesta idéia um Deus da Luz que estava justaposto com Hélios (o Sol) e Hermes.

Como um arquétipo, Lúcifer era considerado na Mitologia Romana como sendo o filho de Astraeus e Aurora,ou de Cephalus e Aurora. Para os gregos o planeta é simbolizado por dois irmãos: Eósforo e Héspero. Ele é o pai de Ceyx, Daedalion e das Hésperides. Ceyx era um rei justo cuja beleza dizia-se ser quase equivalente a de seu próprio pai. As Hésperides eram as guardiãs das maçãs-de-ouro que Juno ganhou de presente de casamento, sendo auxiliadas pelo Dragão. Lúcifer é "o belo gênio dos cachos dourados, cantado e glorificado em todo antigo epitalâmio; é ele que, ao cair da noite, conduz o cortège nupcial e entrega a noiva nos braços do noivo" (Carmen Nuptiale; ver Mythol. de 1a Grèce Antique, Decharme) como citado na primeira edição da revista Lucifer. Os epitalâm os são antigos cantos nupciais, utilizados originalmente não apenas pelos gregos pagãos, mas também pelos primeiros cristãos, mais um fato que comprova que originalmente Lúcifer não era considerado o inimigo do deus do cristianismo e dos homens.
Eósforo (ou Phosphoros) é a brilhante Estrela da Manhã, enquanto Héspero (ou Vesper, Nocturnus, Noctifer) é o nome dado a Vênus quando este surge lançando sua luz no anoitecer. Na Ilíada encontramos passagens se referindo a estes dois irmãos, nas quais Phosphoros, quando surge das águas do Oceano, anuncia a aproximação da luz divina, enquanto Héspero é considerado durante o anoitecer a mais esplêndida de todas as estrelas que brilham no céu.

A visão sobre Lúcifer ser o libertador da humanidade, um rebelde corajoso que traz aos homens a sabedoria dos Deuses, e por isso sofre os tormentos provocados pela ira de Deus (preferindo agüentá-los a se submeter a uma regra despótica) possui muitas influências do mito grego de Prometeu.

Prometeu era um dos Titãs. Ele e seu irmão Epimeteu se tornaram os responsáveis pela criação do homem não apenas em sua forma física, mas também em suas habilidades. Tendo Epimeteu gasto todos seus recursos nos outros animais, ao chegar no homem não sabia o que lhe dar de especial, pois o homem deveria ser superior a todos os outros animais. Ao recorrer a Prometeu este com a ajuda de Minerva, por quem era protegido, subiu aos céus de onde trouxe aos homens o fogo em uma tocha acesa no carro do sol. Júpiter se irou por Prometeu ter furtado o fogo do céu, e como castigo, mandou acorrentá-lo em um rochedo do Cáucaso, sendo seu fígado todo dia devorado por um abutre. Thomas Bulfinch escreve em "O Livro de Ouro da Mitologia" : " Esta tortura poderia terminar a qualquer momento, se Prometeu se resignasse, a submeter-se ao seu opressor, pois era senhor de um segredo do qual dependia a estabilidade do trono de Jove e, se o tivesse revelado, imediatamente teria obtido a graça. Não se rebaixou a fazê-lo, porém. Tornou-se, assim, símbolo da abnegada resistência a um sofrimento imerecido e da força de vontade de resistir à opressão." O fogo roubado por Prometeu não é o fogo físico; muito mais que isso, creio que o mito se refere ao "fogo da mente", que permitiu ao homem se libertar e conduzir sua vida por si mesmo; o "fogo dos deuses" que possuímos para tornar-nos o próprio deus.

Pode-se traçar também uma semelhança com Apolo, o Deus-Sol. Esta teoria se baseia em seu título de Portador da Luz, tradução literal de seu nome, o que pode associá-lo na cabala a Tiphareth, a Sephirah do Sol, enquanto que sendo a Estrela da Manhã ele é associado a Netzach, a Sephirah de Vênus. Em Tiphareth ocorre a primeira das grandes iniciações ao significado do Ser superior. Tiphareth se localiza no centro da Árvore da Vida, e em sua direção fluem os poderes das demais Sephiroth. Outro ponto que o relaciona a Tiphareth é o vício desta Sephirah, o orgulho. Como será discutido mais adiante, este é o pecado de Lúcifer na visão de algumas religiões, o que teria afastado-o da graça de Deus.

Outro ponto que a vêm reforçar é o mito de Aradia. Aradia é considerada filha de Diana e Lúcifer, gerada através de um ato de incesto. Na mitologia grega, o irmão de Diana é Apolo, que dentre outros atributos, possui como característica marcante sua beleza, assim como Vênus, deixando bem clara a associação entre ambos.

Cristianismo & Judaísmo

Este será um tópico extenso, por se tratar de uma filosofia mais presente e atuante nos dias de hoje, o cristianismo, o qual incorpora diretamente o nome de Lúcifer em seus dogmas.

Os cristãos corromperam a imagem do Lúcifer romano, tornando-o líder dos anjos caídos. O nome Lúcifer não é encontrado em nenhum livro da bíblia cristã. Esta relação surgiu mais tarde, vindo com a invasão de povos europeus e miscigenação de raças. Mais que uma tradução errada, é uma invenção dizer-se que ele encontra-se na bíblia original. A própria menção a um ser que pode até se transformar em um "anjo de luz" (2 Corintios 11:14), ou de um leão que ruge e devora (1 Pedro 5:8) é apresentada apenas a partir do novo testamento. Como será visto, na Torah (bíblia hebraica que nada mais é do que os cinco primeiros livros de qualquer bíblia cristã) não há o conceito de Lúcifer como mal personificado, e sim de acusador.

Não há como não se lembrar o que dois respeitáveis ocultistas comentam sobre esta corrupção. Segundo Blavatsky: "De fato, todo o mundo sideral, os planetas e seus regentes -- os deuses antigos do paganismo poético -- o sol, a lua, os elementos e toda a hoste de mundos incalculáveis -- pelo menos os que eram conhecidos pelos Pais da Igreja -- compartilharam a mesma sorte. Todos foram difamados e endemoniados pelo insaciável desejo de provar um insignificante sistema teológico -- construído a partir de antigos materiais pagãos -- como sendo o único correto e sagrado, estando todos os que o precederam ou seguiram completamente errados. Nos pedem para acreditar que o sol, as estrelas e o próprio ar tornaram-se puros e "redimidos" do pecado original e do elemento satânico do paganismo somente após o ano I d.C." [Lucifer, Vol. I, No 1, Setembro, 1887] . Kenneth Grant complementa esta visão: "O enlameamento e a destruição literais dos símbolos antigos nas Catacumbas em nada é comparado com o iconoclasmo sistemático que esteve operante durante séculos nos santuários secretos do Judaísmo e da Cristandade, onde documentos eram destruídos, textos mutilados e deliberadamente distorcidos para abrir caminho para o Culto desta suprema anomalia na história das religiões - um "Salvador" histórico que morreu e ressuscitou na carne" [The revival of Magick, 1969].

Realmente não há como negar que a igreja para combater as antigas religiões pagãs, distorceu os deuses antigos, convertendo-os em inimigos, em demônios que atentavam contra a felicidade humana. Que maneira seria mais simples para a solidificação de uma idéia do que a imposição pelo medo? Que maneira mais fácil de se acabar com as festividades pagãs do que torná-las pecaminosas? Todos que iam contra as idéias da Igreja eram considerados hereges. As pessoas começaram a temer pensar, questionar idéias, e por incrível que pareça, centenas de anos depois, ainda por medo, só que agora do inferno ou por pura acomodação, fecham seus olhos para sua realidade, descartando sua auto-realização neste plano. Alguns demônios cristãos foram criados nada mais sendo do que reflexos do nosso lado animal, que muitos tentam ocultar, lutar contra ele, sem perceberem e aceitarem que este faz parte de todos nós. A ira, a luxúria, a ambição entre tantos sentimentos que pertencem a este lado, são tão necessários aos homens quanto o amor e a compreensão. Somos senhores de nossa própria Vontade, e por isso, aqui e agora, somos nós quem devemos nos utilizar dela para atingir nossos objetivos. Como? Através do desenvolvimento de nosso potencial interior, que apenas se encontra adormecido.

O diabo foi uma invenção cristã construída a partir de antigos mitos pagãos, em especial Babilônicos e Caanitas já distorcidos anteriormente pelos judeus. A palavra grega diabolos, usada como nome e adjetivo, veio do grego diaballein que significa "caluniador", e é usada como tradução do termo hebraico hassatan (o acusador ou adversário) no Antigo Testamento. No Novo Testamento a mesma palavra grega é utilizada como sinônimo do termo menos freqüente satan ou satanas. Não podemos nos esquecer que o Antigo Testamento foi escrito em hebraico e o Novo Testamento em grego, por isso o uso destas duas palavras equivalentes. Citarei apenas alguns destes deuses utilizados para construir o diabo cristão entre tantos outros existentes:

· Abaddon, ou o Destruidor era governador do Sheol, um local destinado a ser a morada dos mortos. Ao contrário do inferno cristão, porém, este não era um local onde eram aplicadas penas aos mortos pelo que fizeram de errado em vida, e muito menos um local de tortura e sofrimento.

· Ashtart, deidade Fenícia, equivalente a Ishtar babilônica, deusa da guerra e do amor, e das colheitas. Associada também a Estrela da Manhã. Tornou-se um demônio cristão, Astaroth, sendo também citado pelos judeus com o sentido de legião em seus escritos.

· Belzebu (Mateus 12:24) ou o Senhor das Moscas é a corrupção de Baal-Zebul, originalmente uma deidade fenícia, que significa "Príncipe Baal". Os Baals, que significa Mestres ou Senhores, eram adorados pelos Caanitas e por isso foram transformados em demônios.

Mais tarde, com a influência de novas culturas, os demônios foram aumentando em número, e a representação de sua imagem também. A clássica imagem do diabo como um ser que possui chifres e pés de bode é nitidamente uma referência ao deus Pã, cujo culto era amplamente disseminado e deveria por isso ser exterminado para a aceitação do novo dogma a ser imposto. O mesmo aconteceu com outros deuses pagãos, mas nenhum nome foi tão difamado como o de Lúcifer e Shaitan. Uma citação importante sobre a formação da concepção do diabo cristão pode ser encontrado no "The Devil's Biography": "O Novo Testamento clama que Deus é a origem de tudo que é bom, e que o Céu é a recompensa por seguir as suas leis. Mas aquilo não era suficiente para trazer as pessoas para a igreja e fazê-las retornar. Os primeiros cristãos procuravam uma força opositora, um demônio que poderia ser a origem do pecado que resultaria em condenação eterna nos tormentos do inferno e de onde apenas eles (os cristãos) poderiam nos salvar. O problema era, não existia nenhum para que eles pudessem proclamar sua autenticidade bíblica. Se eles quisessem um demônio assustador, dotado de grande poder, real, que poderia governar o inferno eternamente punindo aqueles que desafiaram Deus e seus sacerdotes, eles teriam que criá-lo e fazê-lo de uma forma que ele poderia finalmente parecer ter algum tipo de validade bíblica. E isto era um problema, pois os judeus do Antigo Testamento não acreditavam em eterna vingança ou punição depois da morte."

Os cristãos alegam que Lúcifer é citado em Isaías 14:12-14:

"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como fostes lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias em teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo."

Lúcifer é uma palavra latina, e jamais poderia aparecer em um escrito hebraico datado de uma época em que o Latim não existia ainda como linguagem. No original hebraico desta passagem encontramos "heleyl, ben shahar", que quer dizer "brilhante, filho da manhã", e se referia ao rei da Babilônia Nabucodonosor, embora alguns autores afirmem que também poderia se referir ao rei Tiglath-pilneser. Este termo, ao ser traduzido para o latim vulgar foi traduzido como Lúcifer, a antiga representação romana da Estrela da Manhã. O fato é que o contexto da passagem completa deste texto deixa bem claro que ele não se refere a nenhum demônio, ou anjo caído da graça de Deus, mas sim a um rei humano como pode ser visto em Isaías 14:4-5 e 14: 16-20:

"...então proferirás este motejo contra o rei da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! Como terminou a tirania! Quebrou o Senhor a vara dos perversos e o cetro dos dominadores". "Os que te virem te contemplarão, hão de fitar-te e dizer-te: É este o homem que fazia estremecer a terra e tremer os reinos? Que punha o mundo como um deserto e assolava as suas cidades? Que a seus cativos não deixava ir para casa? Todos os reis das nações, sim, todos eles jazem com honra, cada um no seu túmulo. Mas tu és lançado fora de tua sepultura, como um renovo bastardo, coberto de mortos transpassados à espada, cujo cadáver desce a cova e é pisado de pedras."

Esta passagem mostra claramente a queda deste rei, ou seja, sua morte, e o desprezo com que ele seria recebido pelos mortos no Sheol. Como dito anteriormente não encontramos em nenhum livro do antigo testamento a idéia de demônios como sendo seres que governam sobre o inferno ou que eram dotados da função de punir os infiéis após a morte. Eles são vistos no misticismo hebraico como sendo descendentes de Lilith, primeira mulher de Adão, e como capazes de causar doenças e possuir corpos, mas nunca como seres capazes de fazer com que o homem seja tentado a cometer o mal. Podemos encontrar a idéia de anjos se rebelando contra Deus e sendo precipitados no apócrifo judeu "O livro de Enoch", utilizado mais tarde pelos sacerdotes para sua concepção de demônio. Outra evidência de que o nome Lúcifer não era originalmente associado ao demônio é a existência de um bispo cristão de Cagliari no século IV ou V que se chamava Lúcifer. A partir apenas do século XIII os hereges foram chamados de Luciferianos.

A própria criação de Satã como um acusador, e por isso inimigo do homem, veio da necessidade do povo judeu de um ser que explicaria as coisas de mal que aconteciam com seu povo, já que acreditavam em um Deus todo-amor. Assim, Satã é aquele que testa o homem, na maioria das vezes a fidelidade do homem a Deus, porém com o consentimento e por pedido deste último. Os primeiros dois capítulos do livro de Jó exibem claramente esta função designada por Satã. Nele Satã expõe para Deus sua idéia a respeito dos homens, dizendo que estes seriam tementes ao Senhor até o momento em que calamidades ocorressem com eles, quando então passariam a blasfemar contra Deus. Deus, tendo opinião contrária, coloca tudo que Jó possuía nas mãos de Satã, para que este pudesse prová-lo em sua fé. Está claro que Satã é um agente de Deus, não um rival e inimigo deste no Antigo Testamento. Por esta permissão dada por Deus, Jó sofreu terríveis tormentos e muitos inocentes foram mortos, apenas para que Deus provasse seu ponto de vista, demonstrando sua natureza egocêntrica, curiosamente um sentimento tão combatido pelos cristãos.

Perante estes fatos volta a velha indagação a respeito da idéia de Lúcifer como um anjo caído: Se no Antigo Testamento Deus destruiu a humanidade por esta decepcionar-lhe, por que não destruiu o anjo responsável pela revolta que mudou seus planos para o destino do homem, já que faria tudo para afastá-los de Deus? Afinal, ambos possuíam livre arbítrio.... e Deus deveria aplicar o mesmo castigo a ambos.

Características bíblicas de Lúcifer

Segundo os cristãos, as representações bíblicas do diabo são três: a de uma serpente (Apocalipse 12:9), a de um Dragão (Apocalipse 12:3) e a de um Anjo de Luz (2 Coríntios 11:14). Curiosamente as duas primeiras, que são equivalentes, são a representação da sabedoria e da vida eterna, presente e adorada inicialmente em todas as regiões do mundo, como será melhor comentado na seção “Influências Luciferianas”. Lúcifer antes de sua queda pertencia à ordem angelical dos querubins (Ezequiel 28:14) e era a mais exaltada das criaturas angelicais (Ezequiel 28:12). Porém, ao deixar sua grandeza e beleza tomarem conta de seu coração, quis se igualar a Deus, o que foi seu grande pecado. Seus privilégios anteriores à queda podem ser encontrados em Ezequiel 28:11-15 e “dados” sobre sua suposta queda em Ezequiel 28:16-18 e Isaias 14:12-20 (já citado anteriormente).

Para aqueles que desconhecem a Angelologia, convém esclarecer que os anjos se dividem em três grandes classes, ou ordens, que são subdivididas novamente em três partes cada. Os querubins pertencem à Primeira Ordem e ao segundo coro desta. A primeira ordem é aquela que estaria mais próxima de Deus, e é se utilizando desta afirmação que os cristãos justificam a condenação eterna à qual Lúcifer foi submetido. Segundo eles, por Lúcifer viver anteriormente na presença de Deus, Ele o conhecia o suficiente para jamais poder ter se rebelado contra seu criador, ao contrário dos homens, que por isso tiveram a oportunidade de novamente voltarem à comunhão com Deus após o pecado original, através de sua submissão total à vontade de Deus e através do sacrifício de Cristo. Estranho fato este do livre arbítrio, no qual há apenas dois caminhos: o da submissão e conseqüente salvação, e o da independência e livre Vontade, e conseqüente danação. Seria realmente um livre arbítrio? Qual homem em sua sanidade escolheria o pior para si, se realmente acreditasse nisso? Parece mais que o “Deus” da cristandade não conseguiu mais controlar sua própria criação, quando esta descobriu através dos ensinamentos da serpente que podia alcançá-lo, e até mesmo, transcendê-lo. Esta não é uma idéia difícil de ser ilustrada se consultarmos a cabala. Na cabala podemos encontrar o demiurgo na Sephirah Chesed, a quarta esfera da Árvore da Vida. Sendo assim, ao se passar por Chesed, ainda há outra Sephiroth para se alcançar: Binah, Chockmah e Kether, ou seja, é possível de transcendê-lo, e em larga escala. A própria serpente, considerada derrotada, encontra-se acima do Demiurgo, em Chockmah. Como pôde ser visto, é um mito que guarda oculto em si mesmo a chave de sua própria contradição e destruição, conseqüência de uma invenção sórdida e sem nenhum fundamento. Está mais claro do que nunca nos dias de hoje a verdadeira função e propósito da crença cristã, não sendo necessário comentá-lo mais aqui: quem possui olhos para enxergar, que veja por si mesmo.

Um dado interessante que encontramos na Bíblia e que também nos remete ao simbolismo de Lúcifer no ocultismo se encontra em Efésios 2:2. Neste versículo encontramos Lúcifer sendo considerado como o Príncipe da potestade do ar. Quem conhece as associações dos quatro príncipes no satanismo não sentirá dificuldade de lembrar-se que Lúcifer correspondendo ao Leste é associado ao elemento ar.

Outro tópico que nos interessa, mas que será discutido separadamente a seguir é a demonologia, e os diferentes papéis e representações que Lúcifer possui nela.

 Islamismo & Yezidismo

Segundo o Qur’na, base da fé islâmica, Iblis ou Shaitan não é um anjo caído (como aceito no cristianismo), nem um agente de Deus (como aceito no judaísmo). No islamismo Iblis é um dos Jinni, o qual através de seu livre arbítrio preferiu desobedecer à ordem de Allah (Deus) do que se prostar diante de Adão (os homens), um ser inferior criado do barro enquanto ele fora criado do fogo. Mais uma vez o pecado aqui retratado é o orgulho de Iblis, como pode ser confirmado nos seguintes versos:

Surah Araf (7: 11-18)

“Fomos nós quem criamos você. E te demos forma: Então nós ordenamos aos anjos, Prostem-se diante de Adão e eles se prostaram, com exceção de Iblis; Ele se recusou a pertencer àqueles que se prostaram”.

(Allah) disse: “O que te impediu de se prostar quando eu te ordenei?”. Ele disse: “Eu sou melhor do que ele: Tu me criaste do fogo, e ele do barro.”

(Allah) disse: “Que você se rebaixe por isto: não é para você ser arrogante aqui: saia”.

Ele (Iblis) disse: “Me dê o tempo até que eles sejam elevados”.

(Allah) disse: “Esteja você entre aqueles que tem este tempo”.

Ele (Iblis) disse: “Porque tu me tiraste (do caminho), Oh! Eu irei esperar por eles em Teu estreito caminho”:

“Então Eu irei abordá-los por frente e por trás, à sua direita e à sua esquerda: Tu não irás achar, na maioria deles, reconhecimento (por Tua piedade).”

Iblis, ao se rebelar contra a vontade de Allah, se tornou merecedor do nome Al-Shaitaan e foi expulso da corte de Deus. Ele teria recebido uma punição imediatamente, mas pediu um adiamento até o Dia do Juízo. Embora Iblis jure vingança ao homem (por este ter sido o responsável pela sua expulsão), se tornado seu inimigo e prometido dividir seu destino com eles, ele não possui nenhuma autoridade sobre os homens, ao contrário do demônio cristão, dotado de extremo poder sobre a humanidade, com exceção dos cristãos (Mateus 4:24).

Sendo um Jinn Iblis tem o poder de criar ilusões para desviar os homens do caminho do sucesso eterno. Allah adverte a Iblis que isso irá causar sua precipitação ao inferno, junto com todos aqueles que forem desviados. Para proteger seus fiéis, porém, Allah manda anjos guardarem-nos. Sendo assim, Iblis apenas pode sugerir o mal aos homens, mas sendo estes dotados da escolha entre o bem e o mal, são os únicos responsáveis pelo caminho que seguirão. Nenhum ser pode forçá-los a fazer a escolha errada.

Shaitan e Iblis também são nomes utilizados por outra cultura: a dos Yezidi.

Os Yezidi (Yazidi, Yasdâni, Izadi) atualmente habitam regiões no norte do Iraque, nos arredores da cidade de Mosul, e pequenas comunidades localizadas na Síria, no sudeste da Turquia e no Irã.

A origem da palavra “Yezidi” ainda é muito discutida. Algumas hipóteses seriam que a palavra Yezidi se originou da palavra persa “îzed” que significa “anjo”, ou que é derivada de “yezad”, um termo da antiga linguagem iraniana que possui o mesmo significado, demonstrando a grande importância que a figura dos anjos ocupa na religião Yezidi, em especial Malak Ta’us.

Os Yezidi possuem duas escrituras sagradas, o Mes'haf i Resh (Livro Negro) e o Kitab el-Jelwa (Livro das Revelações). Em ambas Malak Ta’us (também chamado Shaitan, Melek Tawus, Azazil, Iblis e Ta'usi-Melek) se revela como um ser divino que rege sobre todos os outros seres divinos e sobre todas as criaturas do mundo, inclusive os seres humanos, o que pode ser constatado nos seguintes trechos: “No início Deus criou a Pérola Branca de sua mais preciosa essência; e Ele criou um pássaro chamado Anfar. E Ele colocou a pérola em suas costas, e lá habitou quatrocentos mil anos. No primeiro dia (da Criação), Domingo, Ele criou um anjo chamado Azâzil, que é Malak Tâwus (anjo pavão), o chefe de tudo...”; “Eu (Malak Tâwus) era, e sou agora, e continuarei a ser pela eternidade, governando sobre todas as criaturas...”.

Na crença Yezidi, Malak Ta’us foi o primeiro dos sete anjos emanados de Yazdan (o Deus Supremo), sendo os nomes dos outros seis: Dardâ´îl, Ishrâfâ´îl, Mikail, ‘Izrâ´îl, Samnâ´îl e Nûrâ´îl. Os Yezidi adoram Malak Ta’us ao invés do Ser Supremo por acreditarem que este não é mais uma força ativa: ele é o Senhor do Céu, o criador, que após criar a Terra não se importou mais com ela, deixando-a para Malak Ta’us governar. Sendo assim, Malak Ta’us é a representação da força ativa que age na Terra, é o Senhor do Mundo, e é a ele que devem se dirigir orações.

Por esta adoração ao anjo pavão, que também é chamado de Shaitan, os Yezidi são considerados por muitos como “Adoradores do Demônio”. Esta associação foi ajudada pelo fato de Malak Ta’us ter sido um anjo que caiu da graça de Deus por se recusar a se rebaixar perante Adão, como Deus havia pedido, mas ao contrário da mitologia cristã de Lúcifer e da mitologia islâmica de Iblis, ele foi perdoado através de seu arrependimento e recobrou sua posição original. Por isso os Yezidi afirmam que deve haver uma restauração assim como uma queda.

O Yezidismo não acredita em inferno. Em sua visão Malak Ta’us encheu sete jarros de lágrimas durante sua queda, que durou sete mil anos, e estas lágrimas extinguiram o fogo do inferno, ou serão usadas para extinguí-lo no final dos tempos. Malak Ta’us é um representante de Deus e não um Deus perverso. Malak Ta’us possui características duais dentro de si. Ele pode ser tanto o fogo que aquece como o que incendeia. Simultaneamente, todos nós humanos temos uma mistura destas duas forças: o bem e o mal. Todos possuímos Malak Ta’us dentro de nós.

Malak Ta’us é adorado na forma de uma escultura de bronze de pavão, denominado Anzal, “O Antigo”. Esta escultura é trazida para os adoradores na celebração anual mais importante da religião, que tem duração de sete dias, celebrada de 6 a 13 de outubro em Lâlish, ao norte de Mosul. Ela coincide com a antiga festa de Mithrâkân, que comemorava a criação do mundo por Mithra, o deus-sol.

A segunda festa mais importante é a comemoração do nascimento de Yezid, o suposto fundador do Yezidismo, podendo ser até mesmo o segundo maior Avatar do Deus Supremo, logo após Malak Ta’us. É uma festa de três dias, comemorada perto do solstício de verão (hemisfério sul)/inverno (hemisfério norte). Curiosamente esta data também pode ser comparada com o nascimento mítico de Mithra, celebrada no dia 25 de dezembro.

Egípcios

No Livro dos Mortos encontramos o seguinte capítulo: "E Osiris Ani, do qual a palavra é a verdade, disse: Eu sou a serpente Sata cujos anos são infinitos. Eu descanso morto. Eu estou renascendo todos os dias. Eu sou a serpente Sa-en-ta, a habitante das extremas partes da Terra. Eu descanso na morte. Eu sou nascido, eu me torno novo, eu rejuvenesço todos os dias".

Não vai ser difícil para o atento leitor perceber o porque da correspondência entre a serpente egípcia Sata com Lúcifer. Pudemos analisar na mitologia greco-romana um equivalente perfeito com a menção acima: Vênus em seu percurso, "renascendo" a cada anoitecer, e "morrendo" a cada amanhecer. Sata é o deus egípcio consorte de Sati (também chamada Setet). Barbara G. Walker possui em sua obra, The Women's Encyclopedia of Myths and Secrets, uma passagem muito interessante a este respeito: "Os primeiros egípcios chamavam-no de a Grande Serpente Sata, Filho da Terra, imortal porque se regenerava todos os dias no útero da deusa. Um homem poderia se tornar imortal, como Sata, repetindo orações que o identificassem com o deus...". Podemos encontrar aqui a nítida idéia de que para o homem se tornar um deus, deve contemplá-lo em si mesmo.

Sata também é considerado por alguns autores como um outro nome para o deus Set. Um ponto de equivalência entre ambos está no seguinte tópico: devemos lembrar que o correspondente de Set na Terra é o Falo, e a própria serpente, imagem de Sata, é um símbolo nitidamente fálico. Set é considerado como o arquétipo da consciência de si isolada, e talvez justamente por este motivo os períodos de maior popularidade do deus Set coincidiram com as épocas de maior desenvolvimento do Egito em todas as áreas. Set, porém, é representado celestialmente por Sírius ou Sóthis, a Estrela-Cão, ao contrário de Sata, representado por Vênus.

Set, por sua vez, foi transformado em Shaitan por seus adoradores que o levaram até a Suméria. Como citado por Grant, a invocação a Shaitan é realizada direcionada para o norte geográfico, pois embora ele seja considerado o Deus do Sul, no equinócio de inverno o Sol se volta em direção ao norte ao entrar na Constelação de Capricórnio, o que coincidentemente ocorre na religião Yezidi, sendo Shaitan adorado ao norte. Este fato nos mostra a influência da fonte original nesta filosofia, apesar de aparentemente ambas serem muito diferentes.

Mais uma vez, como todos os chamados demônios, os judeus e cristãos mudaram seu nome para Satã, e foi através destes que Shaitan se tornou um ser existente rival dos humanos. Porém, as origens e os propósitos deste nome nos é suficiente para entender o seu verdadeiro significado.

Espíritas

A filosofia espírita está baseada na idéia da evolução como necessária para o alcance da sublimação. Esta evolução apenas pode ser alcançada através da conquista pessoal de cada um, e para isso existe um ciclo de reencarnações sucessivas que permitem aos espíritos se aprimorarem, corrigindo erros passados e conquistando novos méritos para serem somados à sua trajetória. Sendo assim, existem diversos graus de evolução nos quais os espíritos se encontram, sendo que mesmo o mais evoluído alguma vez já teve que passar por diversos níveis inferiores, os quais superou por suas ações.

Sob esta ótica é impossível pensar na existência de demônios como seres eternamente condenados à maldade e à perdição. Os espíritas acreditam na existência de espíritos "demoníacos", cujas características são conseqüências de seu livre arbítrio e atual grau evolutivo, que porém não é eterno. A evolução pode demorar mais para alguns do que para outros (justamente pela existência do livre-arbítrio), mas é inevitável para todos. Tudo que vivemos e aprendemos não pode ser perdido. Desde a criação então até alcançarmos o grau máximo de evolução, sempre voltamos com alguma característica mais aprimorada adquirida durante nossa experiência anterior, o que nos auxilia na conquista de novas.

Qual seria então a visão sobre Lúcifer desta filosofia? Os espíritas não aceitam a visão cristã de Lúcifer por vários motivos, todos diretamente envolvidos com o que já foi dito acima. Milled Assed, em seu livro "Ovo de Colombo", nos explica com maiores detalhes: "Pelo exposto acima, dá para sentir que a luz com que Lúcifer fora dotado graciosamente pelo Senhor de nada valera. Certamente porque não se tratava de uma conquista pessoal.

Sem o resguardo do esforço próprio em obediência a Lei dos méritos conferidos pela Evolução somos obrigados , sem outra alternativa admitir que a luz concedida por Deus a Lúcifer era falsa. Sendo falsa a luz de Lúcifer e seus asseclas (anjos) , daí perguntarmos se os anjos, arcanjos, querubins e serafins, teriam sido agraciados, também, com o mesmo tipo de luz que o Senhor dotara Lúcifer . Se assim for, é bem provável que o "Reino dos Céus" esteja sujeito a uma nova debandada ou revolta . Admitindo a hipótese que Deus houvera dotado de Luz a qualquer entidade, esta Luz , jamais permitiria ao seu portador qualquer espécie de sentimento inferior e muito menos apagar-se-ia como o acionar de um interruptor qualquer. O agraciamento de Deus , jamais seria provisório."

A permissão da existência de um reinado oposto ao de deus, segundo o mesmo autor, só foi possível através da criação da mente humana, ainda imperfeita e muitas vezes infantil e maldosa. Realmente podemos ver nesta idéia a criação de um deus mais a semelhança do homem do que um homem criado a semelhança de deus, talvez para que a humanidade pudesse se sentir mais próxima e íntima dele. O fato é que, como comentado anteriormente, não haveria problema algum nesta idéia de deuses com características humanas, utilizada em larga escala pelas antigas religiões pagãs, se não fosse o mau uso dado a ela pelas grandes religiões monoteístas.

Escrito por Lilith Ashtart - For my Fallen Angel HP

Luciferianismo : sua filosofia, influências e rituais


O Luciferianismo, não possuindo uma divulgação tão grande quanto o Satanismo, ainda é muito desconhecido, e até mesmo mal interpretado pela maioria das pessoas. Enquanto muitos o julgam como sendo uma religião das trevas, na verdade não há título mais injusto do que este para ser-lhe atribuído; isto porque esta filosofia é centrada na procura da Iluminação (Divindade) pessoal através do caminho do conhecimento e da sabedoria. Que religião obscura teria um propósito tão nobre?

O Luciferiano, adotando Lúcifer como seu referencial, almeja alcançar as qualidades que este Ser representa, a saber: sabedoria, conhecimento, orgulho, liberdade, vontade, desafio, independência e iluminação. Ele está sempre

procurando por seus limites para poder alcançá-los, e então transcendê-los, sabendo que este é o único caminho para sua evolução. Nossa essência divina não é algo pronto: ela está dentro de nós, mas precisamos desenvolvê-la para que ela possa despertar. Devemos nos lembrar que somos os únicos responsáveis por nossa própria evolução, e por isso outra característica fundamental dos Luciferianos é a capacidade de discernimento. Afinal, embora no Luciferianismo nada seja proibido, sabemos que nem tudo nos convém. Ao realizarmos um ato, devemos estar preparados para suas conseqüências.
Uma questão que surge freqüentemente é o por que da utilização de

m nome que nos remete ao cristianismo, ao demônio cristão, já que é defendido por todos os Satanistas, e conseqüentemente Luciferianos, uma independência em relação a este conceito.
Há duas respostas possíveis, e ambas são verdadeiras.

A primeira, e primordial, é que apesar do cristianismo utilizar-se do nome Lúcifer e Satã, como já foi visto anteriormente estes nomes existiam independentes da citada religião, e por isso mesmo referem-se a seres diferentes do demônio cristão. São arquétipos antigos, que carregam consigo, apesar das distorções das quais foram vítimas posteriormente, toda a energia da egrégora à qual pertenciam e o conjunto de idéias construídas e representadas pelo seu nome originalmente.

Por este motivo Lúcifer e Satã têm que obrigatoriamente serem tratados como entidades diferentes para que possamos entender a diferença entre o Luciferianismo e o Satanismo. A diferença principal entre as duas escolas de pensamento está diretamente relacionada à esta idéia particular que cada nome possui embutido em si.

A segunda, utilizada por alguns satanistas, é o impacto que este nome causa nos dias atuais. É um jeito de chamar a atenção no meio de tantas informações, para então poder mostrar ao que verdadeiramente ele se refere.

A principal diferença do Luciferianismo para o Satanismo é justamente o enfoque na procura pela sabedoria, ao invés da oposição. Isso pode ser facilmente percebido na análise dos nomes Lúcifer e Satã. Lúcifer vem do latim Lux, Lucis = luz Ferre= portador, ou seja, o Portador da Luz, enquanto Satan, de uma corrupção do nome do deus egípcio Set (Set-hen), em hebraico significa Adversário. O Luciferianismo é exatamente um aprimoramento do Satanismo, já que este é limitado em sua visão da evolução humana como necessária ao alcance desta divindade.

Sendo o Luciferianismo uma religião profundamente subjetiva, construída baseada nas experiências de cada um, e sendo ela mesma o fruto de diversas influências, é comum aqueles que compartilham os princípios Luciferianos incorporar a eles outras culturas, podendo estas tanto ser pagãs ou não.

Isso refletiria em uma infinidade de denominações se o aspecto utilizado para designá-las fosse as egrégoras e filosofias incorporadas por cada um. Por este motivo o aspecto utilizado para classificar o Luciferianismo é o modo como o praticante aceita a existência de Lúcifer. Existem duas designações que embora sejam contrárias no referente a este aspecto, compartilham das mesmas bases comuns ao Luciferianismo.

Eu adoto os termos Deísta e Agnóstico para designa-las do que os termos Tradicional e Moderno, comumente utilizados no satanismo. Esta escolha não implica apenas na intenção de uma diferenciação para ambas filosofias, mas principalmente pelo sentido de cada um deles. Os primeiros trazem em seu significado diretamente a idéia utilizada para distinguir uma denominação da outra, o que não acontece com os segundos.

Além disso o termo tradicional e moderno nos leva a pensar de maneira errônea a respeito da filosofia, se fosse aplicada a esta. O Luciferianismo é ao mesmo tempo uma religião tradicional e moderna: tradicional por ser construída em cima de filosofias passadas de geração a geração durante séculos, e moderna por estar sempre em construção, não sendo algo pronto e imutável.

O Luciferianismo Deísta

Os Luciferianos Deístas são aqueles que acreditam em Lúcifer como um Ser, geralmente este identificado como sendo o próprio Cosmos, ou seja, um Ser que está em tudo e que sendo pleno, de nada necessita.

É o "Deus dos inumeráveis números, que cria os próprios membros, que são os deuses". A busca predominante do Luciferianismo está no progresso do espírito humano, sendo que na denominação Deísta o final desta jornada resultará no alcance da unidade indivisível de homem e Deus, condição anterior e eterna. A filosofia de Plotino pode ser bem colocada aqui, já que segundo ela o mundo emana de um deus primal (Lúcifer), através de graus e a Ele se eleva e retorna.

Ao contrário do que se poderia pensar, então, não há um culto a Lúcifer como a maioria das religiões cultua seus respectivos deuses. Lúcifer não é apenas aceito como um deus acima dos homens, e por isso inalcançável a estes, mas como um deus do qual carregamos a essência dentro de nós. Lúcifer antes de tudo é cultuado no próprio adorador, pois ele acredita que sendo uma emanação de Lúcifer, se torna UM com Ele.

Os rituais são de grande importância para os deístas. É através deles que o praticante experimenta de forma mais profunda este contato entre ele e o divino, vislumbrando o que ele mesmo um dia será através de suas buscas.



O Luciferianismo Agnóstico

Para os Luciferianos agnósticos Lúcifer é aceito como um arquétipo. Não há uma crença em um deus primal, sendo o homem visto como seu único deus, seu próprio princípio e fim. Esta visão Luciferiana é claramente influenciada pelo Satanismo Moderno iniciado por Anton LaVey, com a publicação da Bíblia Satânica. É uma procura pelo verdadeiro "self" sem se utilizar a idéia de alguma divindade por detrás dele, contendo aspectos extremamente humanistas. A procura pela sabedoria neste caso também é com o intuito de se tornar um deus no sentido de se tornar algo além do comum, seu próprio Senhor através do conhecimento de si mesmo. A idéia de continuação de uma vida após a morte não se encontra em uma suposta outra dimensão, e sim na imortalidade de suas obras.

Não havendo a crença em algo além do aqui e agora, os rituais realizados pelos agnósticos tendem a se concentrar apenas no princípio do poder da mente para mudar fatos de acordo com sua vontade. Os próprios rituais são colocados em segundo plano por serem utilizados apenas para este propósito, em situações especiais que poderiam requerê-los.

No Luciferianismo Lúcifer jamais é interpretado como sendo a personificação absoluta do mal. A aceitação de tal visão cairia necessariamente na aceitação e validação do dogma cristão com suas alegorias sobre a existência de um salvador externo ao próprio indivíduo, tão contrária da posição Luciferiana sobre o assunto.

Tanto para os Agnósticos como para os Deístas, ele sempre é visto como Aquele que possui em si todos os opostos, ambos se encontrando em equilíbrio. O que são os opostos senão complementos de si mesmos? Por que repudiar um e adorar a outro?

Talvez os opostos mais polêmicos sejam o bem e o mal, devido à grande ênfase dada a estas forças por vários sistemas religiosos. O dualismo é a maior prova da ignorância dos sistemas monoteístas, onde há conflito entre a Luz e as Trevas, entre a carne e o espírito, onde o triunfo do deus do Bem só ocorrerá após a eliminação do mal. Esqueçamos o conflito entre estas duas forças, tão amplamente pregado por diversas filosofias. Pensemos ao invés deste conflito em uma harmonia, que traga o equilíbrio ... estas forças existem e podem exercer influência sobre nós apenas até serem confrontadas e conseguirmos transcendê-las. O bem e o mal são dois aspectos de um só ato; estão presentes dentro de cada um de nós e em toda a natureza. As polaridades antes de se chocar, se atraem, acabando por se completar e levar ao equilíbrio, e é aí que está sua importância. O homem não pode evoluir praticando apenas o bem, assim como praticando apenas o mal. Isto porque o bem e o mal são relativos, conceitos que mudam no tempo, em diferentes ocasiões e até mesmo de filosofia para filosofia. Só conseguiremos reconhecê-los ao vivenciá-los. Nunca devemos nos esquecer que todos somos seres únicos nesta esfera causal, assim como nas próximas até atingirmos a esfera do equilíbrio e plenitude, e por isso possuímos experiências, pensamentos, percepções e concepções únicas também. Afinal "todo homem e toda mulher é uma estrela", e todas as estrelas juntas formam apenas um ser maior, o Cosmos, ou o próprio princípio criativo.

O Luciferianismo não é uma religião fácil de ser vivida, ao contrário do que muitos julgam. Esta é uma grande ilusão de quem se arrisca a opinar sem ao menos tentar vivenciá-lo, já que o primeiro passo é romper com as idéias e regras impostas durante séculos a nós. É preciso além de muita determinação e força para se livrar destas amarras, se autoconhecer e ter coragem de tornar-se seu próprio Deus. Não é uma religião para os covardes que se escondem atrás de uma mentira, preferindo sufocar seus ideais e até mesmo sua realização neste plano para obter a "segurança" de uma falsa promessa.

Realmente é assustador assumir a responsabilidade da construção de sua própria vida, saber que somos os únicos responsáveis por nossos erros e acertos, por nossa tristeza ou felicidade, por nossa liberdade ou escravidão. Talvez seja este o motivo que leva muitos a nos temerem e muitos a nos respeitarem: o ser humano se acostumou de tal modo a viver na escuridão, que quando presencia uma luz ou a teme ou a admira ao longe, sendo poucos os que se arriscam a serem iluminados por ela.

O Luciferianismo é em geral transmitido oralmente e na maioria das vezes praticado solitariamente. Poucos são os Luciferianos que o praticam em grupo, devido ao subjetivismo inerente a esta filosofia. Apesar de os princípios serem comuns a todos, o Luciferianismo só adquire realmente valor quando o praticante deposita nele as verdades que pôde contemplar dentro de si, sendo primordial descartar qualquer ponto que seja discordante com elas. Não é uma religião que se preocupa em ser aceita pela maioria; ao contrário, prefere se ocultar desta para que não ocorra nenhuma distorção de sua essência. Damos mais valor a um pequeno grupo de praticantes do que um grande número de "seguidores". Em nossa crença não há lugar para seguidores, e sim para mestres, já que o único mestre de cada um é si mesmo.

Baseando-se neste pensamento é que toda ordem Luciferiana se propõe apenas a mostrar ao iniciado o início do caminho... conhecê-lo realmente e percorrê-lo, vai depender unicamente da determinação de quem é corajoso o suficiente para conhecer a si mesmo, e tornar-se o seu próprio Deus.

Escrito por Lilith Ashtart - For my Fallen Angel HP

O QUE SÃO SIGILOS E QUAIS SEUS USOS PRÁTICOS?



Provavelmente, não há outro aspecto da magia que seja tão amiúde mal-compreendido como estas icônicas figuras lineares. Muitas vezes, a elas são atribuídos um poder magicko intrínseco e algumas são tão comumente usadas que a maioria das pessoas sequer as reconhece como sigilos.

Simplificando, um sigilo é um símbolo que representa uma força específica, geralmente, uma entidade em um ícone gráfico simples, reconhecível. O Dicionário Inglês Oxford define sigilo como um selo ou sinete, derivado de signum, uma marca ou um token que sobrevive no uso arcaico da palavra, significando uma pequena imagem. Além disso, define-o como um símbolo ocultista ou dispositivo que supostamente tem poderes misteriosos e esse uso aparece originalmente na literatura a partir de 1650. Há outra escola de pensamento que deriva a palavra do hebraico סגולה que tem sido erroneamente traduzida como um item de efeito espiritual ou um talismã, mas a tradução mais exata seria pequena possessão/encanto fazendo desta derivação duvidosa.

Uma definição mais prática de um sigilo foi escrita por Israel Regardie: "A palavra Sigilo significa simplesmente 'assinatura'. Assim o sigilo de um Arcanjo é a assinatura simbólica deste ser. Estes sigilos foram originalmente extraídos dos tradicionais Kameas ou quadrados mágicos". Mesmo esta apenas define um pequeno conjunto de símbolos do grupo maior chamado sigilos e realmente apenas se refere aos símbolos utilizados por magos cerimonialistas para representar os vários espíritos e anjos que eles evocam em suas operações. Para realmente compreender a natureza dos sigilos, discernir sobre seus usos fundamentais e os tipos de entidades que podem representar se faz necessário um exame mais detalhado.

Diferentes Classes de Sigilos



Existem quatro tipos gerais de sigilos que representam entidades, forças planetárias ou específicas identidades espirituais. Alguns destes sigilos são universalmente reconhecidos e entendidos como é o caso dos signos astrológicos, alguns sigilos são símbolos bem conhecidos no meio ocultista como os selos dos espíritos da Goetia e outros são únicos e contém a identidade de uma entidade em um símbolo misterioso, muitas vezes especificamente concebido por um mago para um propósito imediato. Há também os selos e símbolos pessoais ou sinais identificativos que podem ser classificados como sigilos tais como aqueles utilizados no sistema de magia enochiana ou o selo de uma ordem mágica.

1. Sigilos Gerais

Os símbolos que são usados para representar os planetas e os signos na astrologia são, estritamente falando, os sigilos mais simples. Os símbolos para os planetas pode ser rastreados até o século II d.C. onde aparecem, em forma proto-moderna, no Planisfério de Bianchini e tiveram a sua forma familiarizada no Renascimento ou após o século XII. Esses símbolos foram primeiramente concebidos como monogramas dos deuses que eles representam assim Mercúrio é representado por um caduceu e Marte por um círculo (escudo) e uma seta (lança). Da mesma forma os glifos astrológicos são ideogramas das criaturas do zodíaco que eles representam, de modo que Escorpião é representado pelo movimento ondulatório de um ferrão de escorpião e Capricórnio pela cabeça e corpo de uma cabra com a cauda de um peixe.

Os alquimistas também empregaram um conjunto semelhante de sigilos para representar muitos de seus princípios e estes têm sido adotados por magos para uso próprio. O símbolo para o sal coincide com o elemento Terra, enquanto o símbolo de Mercúrio é universal em todos os estudos ocultistas. Estes sigilos alquímicos são geralmente constituídos de formas simples, básicas, como triângulos, cruzes ou círculos representando forças específicas da natureza ou elementos alquímicos.

2. Sigilos de Entidades

A forma mais desenvolvida de sigilos é usada para simbolizar uma entidade específica. Esta classe de sigilos inclui os clássicos ícones utilizados para representar os 72 espíritos da Goetia que a maioria das pessoas associam com magia cerimonial. A criação destes sigilos deriva das letras dos nomes das entidades que eles representam e geralmente tem o formato de um monograma.

Esses tipos de sigilos apareceram pela primeira vez em textos sobre magia no século XIII, sendo o mais famoso o Heptameron de Pedro d'Abano publicado em 1287 em que os sigilos ainda são quase reconhecidamente letras. Quando os Três Livros de Filosofia Oculta (De Occulta Philosophia libri III), de Cornélio Agripa, foram publicados em 1533 a forma dos sigilos tornou-se mais linear e desenvolveu o estilo das imagens que são utilizadas na moderna magia cerimonial.

A próxima evolução significativa dos sigilos veio com a publicação, em 1575, do Arbatel of Magic de um autor desconhecido. Este livro introduziu os Espíritos Olímpicos e deu sigilos para representá-los. Esses sigilos foram provavelmente derivados dos quadrados mágicos dos planetas e tornaram-se estilizados pelo uso.

Talvez a forma mais desenvolvida de sigilos é a encontrada no conjunto utilizado para representar o 72 espíritos na Goetia, ou Chave de Salomão. Este grimório apareceu pela primeira vez no século XVII, embora a maior parte do material tenha sido retirado de fontes anteriores, mais notavelmente do De Praestigiis Daemonum (A Falsa Hierarquia dos Demônios) de Johann Weyer publicado em 1563. A importância da Goetia foi padronizar esses sigilos e apresentá-los como o ponto focal de um sistema de magia cerimonial.

Esta sistematização dos símbolos que tornaram-se os sigilos da moderna magia cerimonial começou em sua plenitude na obra fundamental do ocultismo publicada por Francis Barrett em 1801, Celestial Intelligencer, vulgarmente conhecida pelo título, The Magus (O Mago). Este livro reúne os ícones gráficos que são usados para representar as forças planetárias em Magick reunidos em um formato reconhecível pela primeira vez. O Mago é conhecido por ter tido uma profunda influência sobre Eliphas Levi e pela Golden Dawn ter usado suas ilustrações como uma parte essencial de sua literatura instrucional  para a prática magicka.

Estes sigilos modernos são criados através de um método simples onde se considera o valor de cada uma das letras de um nome no quadrado mágico do planeta correspondente. Por exemplo, o Espírito de Saturno é nomeado Zazel ( זזאל) que é então traçado a partir do quadrado mágico de três produzindo uma figura linear simples. O início do sigilo é marcado por um pequeno círculo e este é atravessado por uma reta terminando o nome. Há regras simples como usar uma curva dupla para marcar uma letra dupla e adicionar uma corcova a uma linha para indicar que esta cruza outra. Desta forma, um simples desenho linear pode ser feita para representar o nome de qualquer entidade.

Os magos modernos continuaram a desenvolver o design e uso de sigilos e eles são muitas vezes relacionados com a Magia do Caos. O mais notável mago que desenvolveu um sistema para criação e utilização de sigilos foi Austin Osman Spare que publicou seu método n'O Livro dos Prazeres, em 1913. Spare era ao mesmo tempo associado com a O.T.O e com a A.·.A .·. , e criou seu método a partir da prática de criação de sigilos desenvolvida em Herméticas Ordens de Magia Cerimonial, principalmente entre os Adeptos da Golden Dawn do início do século XX.

Segundo a teoria de Spare, o objetivo da operação toma a forma da entidade para a qual o sigilo precisa ser projetado. Isto é feito através da síntese de um símbolo gráfico a partir das palavras que melhor expressam o resultado desejado e, em seguida, usando um dos vários métodos simples para concentrar a energia para carregar o sigilo.

3. Sigilos Talismânicos

O terceiro tipo de sigilos também é baseado nos Kameas ou quadrados mágicos planetários. Os selos usados para representar os planetas são um pouco mais complexos do que simples sigilos de muitas entidades menores, mas também são criados a partir da conexão entre os números nos quadrados mágicos. Neste caso a imagem é composta seguindo o toque em cima de cada número em um quadrado mágico de forma que este seja uma representação equilibrada da força planetária que está sendo retratada. Como estas imagens são utilizadas para mostrar a natureza fundamental de um talismã e sua autoridade/poder invocada para ser utilizada para dirigir o espírito que vai ser confinado no talismã ou controlado por este, esses símbolos são geralmente considerados juntamente com os próprios quadrados mágicos.

Outros projetos gráficos simples que se enquadram sob o título geral de sigilos talismânicos são as figuras lineares, como o pentagrama e o hexagrama, que são utilizadas para expressar uma força espiritual específica. Todos os sigilos são usados em conjunto para criar um design talismânico exclusivo que  expressa o objetivo do mago. Os sigilos gerais mostram a natureza da cerimônia com os sigilos específicos sendo o meio através do qual a entidade invocada pela operação é controlada pelo talismã.

4. Sigillum e Pentáculos

No sentido mais amplo da palavra sigilo é o sinal que o mago utiliza para representar a si mesmo ou, mais precisamente, sua Grande Obra. Sigilos deste tipo muitas vezes representam a conquista de um nível específico de realização espiritual como o Selo de Babalon de Crowley que representa a incorporação do segredo de Babalon e a Besta em sua Grande Obra. Esses sigilos funcionam na medida em eles são utilizados cada vez que o mago realiza uma cerimônia e estes conectam-no em uma coesa série de medidas em direção à iluminação.

Este tipo de sigilo pode ser composto a partir de componentes de todas as outras classes de sigilos para criar um potente e único símbolo que representa todo o curso de vida do mago. Em outros casos, esses super-sigilos são utilizados como um mapa simbólico do universo do mago expresso num sistema específico de Magick como o Sigillum Aemeth de John Dee que é o pentáculo para a operação da Magia Enochiana.

Usos Práticos dos Sigilos




O uso prático de sigilos se estende muito além de qualquer cerimônia individual, eles também são comumente usados para marcar as armas magickas a fim de indicar os poderes específicos para os quais estas foram consagradas. Por exemplo, o Bastão Magicko deve ter os sigilos do Nome Divino do Fogo, YHVH Tzaboath ( יהוה צבאות ) e do Arcanjo Miguel ( מיכאל) inscritos sobre ele para mostrar de onde vem seu poder. Da mesma forma os símbolos que o magista usa em seus pentáculos e lamens também devem mostrar a competência e a autoridade que estes tem para dirigir as entidades representadas pelos sigilos específicos usados em uma cerimônia.

Quando sigilos são usados para representar o objetivo de uma cerimônia eles se tornam o foco da força espiritual ou magicka que é invocada pela operação. Neste caso o sigilo torna-se um símbolo da vontade do mago que é tratado como a entidade a qual o símbolo representa. Personificando os desejos do mago e os sintetizando em ícones gráficos, sigilos tornam possíveis criar um símbolo para cada objetivo magicko, ao mesmo tempo permitem uma interpretação mais ampla do significado dos glifos e assim, talvez, um menor acerto no desfecho das operações.

O uso mais comum para sigilos é a construção de talismãs e amuletos. Eles são usados para representar as entidades que estão sendo invocadas ou conjuradas durante a cerimônia que é realizada para consagrar o talismã. A confecção de talismãs geralmente inclui o quadrado mágico do planeta que rege a área de atuação do talismã e, portanto, a chave para interpretar os sigilos que foram utilizados na sua concepção transmite a legibilidade dos símbolos que foram utilizados. Desta forma, os sigilos que são usados para criar uma imagem/talismã podem ser representações simbólicas muito precisas do objetivo pretendido pelo mago.

O exemplo clássico do uso de sigilos como um dispositivo talismânico é na Goetia, onde o magista utiliza o sigilo em um talismã que ele coloca no Triângulo Magicko como base para o espírito que ele está a evocar manifestar-se. O mesmo sigilo é copiado em um amuleto que o mago usa como um lamen e a partir do qual ele manifesta a autoridade para dirigir o espírito que está a conjurar para realizar o seu desejo.

Sigilos são as mais elásticas e versáteis ferramentas disponíveis para magos cerimonialistas, porque eles podem ser usados para representar quase qualquer tipo de entidade ou objetivo. Muitos magistas colecionam uma boa quantidade de sigilos pessoais à medida que desenvolvem suas habilidades e progridem em sua iniciação e estes misteriosos símbolos são uma importante parte da prática da magia cerimonial.

Traduzido por Lizza Bathory de Ankhafnakhonsu Esoterica

The Order of Phosphorus (TOPH)



A The Order of Phosphorus (TOPH) é um corpo iniciático da tradição Luciferiana apresentada nos trabalhos de Michael W. Ford e adeptos associados. A Tradição Luciferiana é baseada em muitos textos chave que definem a filosofia e corpus específico da prática magicka conhecida comumente como 'Caminho do Adversário', 'Corrente Adversária' e 'Magicka Luciferiana'. A tradição por si deriva de inúmeras tradições de feitiçaria e artes especializadas, voltadas a sabedoria e ao poder dentro do Caminho Luciferiano.

O Adversário é primeiramente um símbolo ou "máscara deífica" de inúmeras, mas ainda únicas, manifestações; representadas pelas energias inerentes ao corpo e a natureza interna do indivíduo. A TOPH utiliza um sistema conectado e estruturado para realmente aplicar a filosofia Luciferiana e mergulhar o adepto nas trevas e ascende-lo como um único Portador da Luz, moldando o caminho que você deseja trilhar em sua vida. Bruxaria Luciferiana e Magica do Adversário são as ferramentas que o Iniciado utiliza em seu único caminho para manifestar a curto e longo prazo seus desejos e objetivos.

O Corpus de conhecimento Magico é transmitido ao iniciado de forma desafiadora que deve ser completamente experimentado antes da iniciação formal começar. O iniciado adquire o conhecimento, intuição e poder para se tornar o centro de seu mundo; responsável pelo seu sucesso e realização. A transmissão magica da Corrente do Adversário é unica e vivenciada pelo iniciado pela iluminação alquímica dos poderes infernais e empíreos. O iniciado cria e reconhece o poder do inconsciente, mente primitiva e entende que ela é 'Leviathan', a serpente quebrada e espiralada das águas do caos.

Este é o centro da fundação que guia seus desejos negros, paixões e instintos predatórios; simbolizados pelo círculo do 'self', conforme seu despertar ocorre. Neste círculo de Leviathan, a União Infernal da linhagem de Samael e Lilith dá ignição a sua consciência demoníaca na forja do 'self'; como os Arcontes de nossa tradição Luciferiana, as fagulhas dão ignição a Chama Negra encarnada no que pode ser conhecido como Baphomet, a Besta ou Caim, o simbólico véu dos mistérios do feiticeiro idealizado.

O atual trabalho da TOPH:

Os iniciados da TOPH são um corpo autônomo de indivíduos que buscam conhecimento e poder de acordo com suas preferencias, dentro de várias estruturas e disciplinas magicas. Isso inclui atividades, covens, lojas e práticas solitárias.

Os objetivos primários da TOPH, no presente momento, são compreendidos como a fundação de um caminho de instrução magica para o indivíduo aplicando a filosofia Luciferiana como definida no livro 'Sabedoria de Eosphorus', chamando individualmente para a Corrente Adversária através da feitiçaria da tradição da Bruxaria Luciferiana. Existem muitas e variadas fundações dentro dos grimórios primários 'Adversarial Light - Magick of Nephilim', 'Bible of the Adversary', 'Dragon of Two Flames' e 'Drauga - Ahrimanian Yatuki Dinoih'. Cada corrente iniciática sendo diferente e devendo ser explorada baseada no grau de atração natural do feiticeiro; dentro da estrutura básica encontrada no Gradebook 0°.

De acordo com o espírito de mudança da Tradição Luciferiana, iniciados formulam frequentemente manifestações da Tradição Luciferiana; todas como caminhos de auto-aprimoramento e evolução contínua voltada a Verdadeira Vontade (Daemon) e manifestação do espírito para benefício do Adepto e da TOPH.

(traduzido por Azi Dahaka; TOPH I°)
Ba Nam I Aharman.

Cânticos


Diabolus

Dies irae, dies illa
Solvet Saeclum in favilla
Teste Satan cum sibylla.
Quantos tremor est futurus
Quando Vindex est venturus
Cuncta stricte discussurus.
Dies irae, dies illa!

Sanctus Satanas

Sanctus Satanas, Sanctus
Dominus Diabolus Sabaoth.
Satanas - venire!
Satanas - venire!
Ave, Satanas, ave Satanas.
Tui sunt caeli,
Tua est terra,
Ave Satanas!

Oriens Splendor

Oriens splendor lucis aeternae
Et Lucifer justitae: veni
Et illumine sedentes in tenebris
Et umbra mortis.

Canto Genérico:

Ad Satanas qui laetificat juventutem meam. (Satanás, Patrono da Juventude e da Felicidade.)
Veni, omnipotens aeterne diabolus! (Venha, Eterno Diabo Todo-Poderoso!)
Pone, diabolus, custodiam! (Diabo, semeie a discordia.)

Invocação à Baphomet

Nós estamos armados e perigosos antes dos campos sangrentos da história;
Destituídos de dogma - mas prontos para esculpir e desafiar o visitante.
Prontos para apunhalar,
Fujam, Corram gritando do Homem.
Pronto e disposto a imolar mundo por mundo
Com nossa chama ardente.
E os que deixarmos dirão que passamos por aqui, como Mestres,
Entre as espécies o Homem se sobressaiu.
Nosso ser tomou a forma de desafio
E nos erguemos e lançamos nosso olhar de matança.
E agora nós viajamos nas chamas ardentes
Nosso testamento é a glória!
AGIOS O BAPHOMET! AGIOS O BAPHOMET!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Santuário de Itsukushima


O Santuário de Itsukushima (em Japonês 厳島神社, Itsukushima Jinja) é um santuário xintoísta situado na ilha de Itsukushima, perto da cidade de Hatsukaichi, na província de Hiroshima, no Japão, que foi construído sobre a água.

Foi considerado Património Mundial pela UNESCO em 1996 e está protegido por severas leis de protecção do património. O santuário é gerido pelo governo japonês.

A ilha de Itsukushima é uma das muitas ilhas do Mar Interior(em japonês: 瀬戸内海, Seto Naikai) e é onde se localiza o monte mais elevado da região, o Monte Misen (530m). Devido ao costume xintoísta de adoração de montanhas o local foi considerado sagrado - e como tal vedado à presença humana, desde tempos remotos. Assim, o Santuário foi construído sobre a água, junto à ilha, que é hoje considerada parque natural.

Considera-se que o Santuário de Itsukushima foi fundado em 593 D.C., mas a sua existência só está confirmada a partir de 811 D.C.. Tornou-se conhecido como o "Santuário do país de Aki" durante o Período Heian, entre 794 e 1185.

Há registos que em em 1168, um Sacerdote xintoísta, Saeki Kagehiro, teria reconstruído e ampliado os edifícios, para a sua configuração atual. Acredita-se que esta reconstrução teria sido financiada por Taira no Kiyomori, um dos mais poderosos chefes de clã do Período Heian. Taira considerava que os seus sucessos políticos e militares se deviam à influência dos kami de Itsukushima e aí prestava culto em todas as ocasiões importantes.

Os edifícios principais do Santuário foram destruídos por um incêndio em 1207, durante o Período Kamakura (1185 a 1333). Foram reconstruídos oito anos depois, apenas para sofrerem nova destruição pelo fogo em 1223. Foram novamente reconstruídos em 1241 e são desta data os edifícios que encontramos, atualmente, no Santuário.

Uma vez que o ltsukushima-jinja se encontra construído sobre o mar sofreu danos frequentes ao longo dos tempos, especialmente o grande Torii, que sofreu múltiplas reconstruções, a última das quais em 1875. Também foram acrescentados novos edifícios: o Gojûnotô (o pagode de cinco níveis) em 1407, o Tahôtô (o pagode de dois níveis) em 1523 e vários Honden (edifícios com altares a Kami específicos).

A ilha de Itsukushima ganhou um importante papel comercial devido à sua posição no Mar Interior. No Período Muromachi foi construído um mercado, a volta do qual começou a desenvolver-se uma área urbana. Um templo budista que foi construído perto do cume do Monte Misen também atraía muitos peregrinos. A ilha foi perdendo o seu carácter sagrado e restrito, tornando-se um local de grande beleza pela integração paisagística das suas belezas naturais e dos seus edifícios religiosos.

Descrição

Os Santuários xintoísta delimitam um determinado espaço sagrado (Keidai) e têm habitualmente uma vedação (tamagaki) separando-os do espaço exterior profano. Nas imediações e na sua entrada há, habitualmente portões rituais ou torii assinalando a passagem a um espaço sagrado. Dentro deste espaço há vários edifícios (honsha) com funções rituais específicas.

Assim, no Santuário de Itsukushima, os edifícios principais são o Honden (edifício principal e santuário), o Haiden (oratório) e o Heiden (edifício das oferendas) alinhados com o grande Torii. Á sua frente está o Hirabutai (plataforma cerimonial), onde têm lugar as danças cerimoniais (Kagura). Do Hirabutai saem dois corredores para Este e para Oeste, que se ligam aos edifícios secundários do templo.

Existe ainda um segundo conjunto de santuários chamado o Sessha Marodo-jinja.

Os edifícios apresentam o estilo arquitetônico tradicional conhecido como: Ryōnagare-zukuri

Existem muitos santuários xintoístas no Japão mas o Itsukushima Jinja é universalmente reconhecido como um dos mais belos e bem conservados e constitui o melhor exemplo de arquitetura tradicional e valiosa técnica artística, integrada numa paisagem natural extraordinária.