quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A História do Satanismo



"Você nunca deve perder a visão de quem e o que você é e que grande ameaça você pode ser em sua enorme existência. Nós estamos fazendo história agora, todos os dias." 
- Falta de Perspectiva, O Sexto pecado satânico, Anton Szandor LaVey


Esta é um a obra sobre o desenvolvimento histórico do Satanismo como algo realmente vivido e praticado e não como mera história de horror cristão e especulações teológicas. Dedico-a à memória de meu irmão em Satã, Betopataca e agradeço as prodigiosas lenbranças adentradas em anos do nobre Zarco Câmara, sem cuja ajuda este livro não seria o que é. Também agradeço os caros Pharzhuph, Obito, Malachi, Cognatus, Sergio Telhes e Elmer H. Bells.
Embora relativamente jovem comparada às demais expressões religiosas o Satanismo Moderno se dirige para sua quinta década e, em 2016, o completará seu primeiro meio século. O chamado Satanismo Tradicional possui uma suposta antiguidade, mas suas expressões atuais são inegavelmente recentes. Polêmicas a parte, conhecer o passado nos dará um senso histórico essencial, capaz de nos motivar para quaisquer caminhos que queiramos segui. Este é o objetivo deste livro.

O livro é dividido em três partes:

A primeira contará como foi a formação do Satanismo da Church of Satan. Aqui minhas fontes foram os livros 'Church of Satan', de Blanche Barton, 'Church of Satan' de Michael Aquino e as biografias 'Devils’s Avenger' de Peter H. Gilmore e 'Secret Life of a Satanist' novamente de Blanche Barton. Também achei por bem incluir um texto de Lord Ahriman sobre a pré-história do Satanismo, suas influências históricas anteriores a 1966.

A segunda parte fala sobre a evolução do Satanismo após a decadência administrativa da Church of Satan nos anos 70 e as novas organizações e correntes satânicas que surgiram desde então. Com isso não estou dizendo que as concepções mais recentes de Satanismo sejam melhores ou mais evoluídas que as de LaVey. Apenas cito como nasceram alguns grupos e estilos mais recentes de Satanismo e faço uma interpretação do que trouxeram de novo.

A terceira parte é sobre o que Frater Asmodeus chamou de 'Satanismo da Terra Brasilis'. Traz a formação do Satanismo Nacional e o desenvolvimento de suas particularidades. Entendo que temos hoje algo de valor graças a alguns autores nacionais e a existência prévia de alguns grupos. Essa história vai do primeiro levante satânico que ocorreu no Rio de Janeiro nos anos 90 vai até pouco antes do apoio que o Templo de Satã recebeu da assim chamada, Escola Invisível em São Paulo no início do milênio. Para esta parte da obra usei de minhas próprias memórias e conversas com seus vários protagonistas, em especial o já citado irmão Zarco.

A versão original deste livro foi concluída em 2006 e era de circulação exclusiva do Templo de Satã. Quando começou a circular entre os membros e amigos, eu não fazia ideia do retorno que me traria. Como um verdadeiro incêndio na floresta o livro foi passando de mão em mão, logo para alguns amigos de fora e por fim para outros grupos. Recebi mensagens de vários locais do país me congratulando e querendo saber mais sobre as fontes.  O movimento satânico no Brasil é maior do que eu pensava. Os Satanistas são poucos sim, mas são mais do que se pensa e estão em lugares que poucas pessoas imaginam.

Foi por sugestão de um deles que coloquei este livro no Morte Súbita e inclui o Morte Súbita na história. Também deles veio a sugestão de incluir como anexos o 'Decretos Primeiro' e o 'Decreto Segundo' do Templo de Satã pois poderiam servir de referência para grupos futuros que possam surgir a partir daqui. De fato é um modelo interessante que deve ser conhecido seja para aperfeiçoar ou criticar. Entendo que a tecnologia de hoje substitui alguns pontos do 'Decreto Segundo' mas é a primeira vez que ele é disponibilizado ao público geral desde a fundação do Templo.

Hoje 'A História do Satanismo' é um livro mais completo e organizado, mas acaba abruptamente. Isso é proposital. Talvez assim esta obra possa transmitir melhor a principal lição que tem para passar. A lição de que a história não está terminada e de que alguém vai ter que protagonizar o próximo capítulo. Talvez seja você.

Morbitvs Vividvs 

Anno Satanas XLVIII



A cultura Draco-Luciferiana



Na busca pelo autoaperfeiçoamento, pelo autoconhecimento e pela liberdade psicomental, o iniciado em si mesmo educa sua vontade, exercita o livre-pensar, a psiconáutica e desenvolve a criação visionária. Dentro do contexto filosófico oculto, do gnosticismo ofita esquerdo e do draconismo, o indivíduo procura englobar em sua bagagem cultural as ciências arcanas e “malditas” e os quatro grandes pilares do conhecimento humano, a saber: ciência, religião, filosofia e arte em seus aspectos mais ocultos, criativos e práticos para a experiência da consciência individual.

Mas todo esse conhecimento adquirido deve ser profundamente compreendido e internaliz do para que se torne sabedoria. É importante "filtrar" com discernimento a cultura, o conhecimento, as informações que se adquire, pois todo e qualquer conhecimento internalizado pode se converter em néctar ou veneno. O néctar proporciona clareza de pensamento, organização intelectual e consciência iluminada (ou luciférica); o veneno se espalha na constituição humana, dispersando e confundindo todo o conhecimento não compreendido e não assimilado, distorcendo a realidade, distorcendo o entendimento e podendo causar algum nível de distúrbio psicomental.
Assim, a cultura pessoal de cada indivíduo autoconsciente, de cada filósofo livre, de cada luciferiano e de cada draconiano, deveria ser relativamente ampla e abrangente, dentro do possível. Porém, não é o que ocorre com relação à grande maioria das pessoas, geralmente (muito) comuns e correntes. Há pessoas, ou grupos, com matéria mental ainda muito crua e rudimentar, mesmo na atualidade com tantas tecnologias e informações acessíveis a muitos. Por outro lado, há também aqueles de inteligência mediana muito específica, condicionada, um tipo bastante comum de "inteligência de ofício", útil somente para a atividade profissional estritamente mundana e corriqueira, o que é diferente da inteligência (de “ofídio”) mais expandida daqueles que se interessam por conhecimentos além do comum e corrente, além da prosaica vida mundana cotidiana, limitada, insossa e sem maiores expansões psicomentais.
A inteligência expandida encontra o meio de se manifestar somente no influxo psicomental de indivíduos abertos, receptivos, conectados aos planos “invisíveis” (pode-se ver a mente?) de luz e trevas (a essência de toda manifestação), demonstrando uma avançada compreensão interior devido ao seu próprio grau evolutivo individual. Pessoas tais possuem inquietudes e vontade pelo saber, capacidade de descobrir as coisas por si mesmas e sede de conhecimentos. Essa arte de descobrir, de adquirir conhecimento e experiência, de solucionar problemas por meio da inteligência, etc., é o que se chama de heurística, seja na ciência, na religião, na filosofia ou na arte, os quatro grandes pilares do conhecimento que devem formar um todo na mente e na vida do indivíduo consciente, do gnóstico ofita (ou draco-luciferiano).

Heuristicamente, o pilar da ciência, ou gnosis (conhecimento), representa o fundamento intelectual com a experiência direta das causas e efeitos das coisas, vivenciando as próprias verdades. O método científico é aplicado pelo inciado draconiano em suas próprias experiências, observando, analisando, experimentando e comprovando suas próprias teorias e hipóteses sobre questões ocultistas, expansão da mente, psiconáutica, etc. Isso o leva ao autoconhecimento, à verdadeira gnose pessoal, para além do mero cientificismo "desumano", mecanoide e meramente materialista. A ciência é a mente elevada autoconsciente (a “com-ciência”), o pensamento livre e esclarecido e o discernimento racional para a aquisição experiência gratificante da mente, das emoções e do corpo, para aquisição de cultura superior e de conhecimento científico útil e prático para o próprio desenvolvimento do indivíduo.

O pilar da religião, ou melhor da autodeificação, representa a experiência direta da emoção superior consciente, algo apenas vivenciado no interior de cada um. É a união da Individualidade (Lúcifer, Logos Luciférico, Daimon) com as forças da natureza e do universo. A religião do verdadeiro agape é o verdadeiro amor devocional por si mesmo enquanto entidade evolutiva autoconsciente, e não tem nada a ver com as inúmeras religiões venenosas, dogmáticas e coercivas instituídas pelo mundo afora. Trata-se de uma experiência supranormal e extremamente marcante vivida e provada para si próprio e para mais ninguém. A religião do verdadeiro agape certamente não é a religião do fanatismo das massas; não é a religião fundamentalista que cultua as guerras, a dor, o sofrimento, a tristeza e dissemina a confusão mental; não é a religião da enfermidade psicomental, da estagnação e da acídia, ou seja, da preguiça e desolação do espírito (supra) humano e da inteligência. A religião do agape é a viagem do indivíduo em seu próprio interior, um mergulho em suas próprias emoções primitivas (e psicomentais) que jazem no próprio abismo (Daath, “Conhecimento”) microcósmico, seja por meio da ritualística ou por meio da psiconáutica neuroquímica controlada, ou seja lá o que for.

O pilar da filosofia, ou sophia (sabedoria), é a busca da verdade individual que só tem fundamento e valor para o próprio buscador; é a busca pela realização do ideal fundamental latente no indivíduo. Ao contrário de muitos filósofos que parecem estéreis, aprisionados em seus labirintos intelectuais, o filósofo oculto pragmático emprega meios tais como sistemas metafísicos, ritualística, meditação, projeção da consciência, psiconáutica, entre outros, para a experiência da Individualidade, para a aquisição de sabedoria acerca de si e do universo, na medida em que isso seja possível. Teoricamente, a filosofia é o sistema que estuda a natureza de todas as coisas e suas relações. Na filosofia oculta e no gnosticismo ofita, sophia conduz à paz ataráxica, impertubável, do espírito, ao bem-estar, à alegria, à satisfação e ao prazer.

O pilar da arte, ou thelema (vontade) é o fundamento das ideias intuitivas, da vontade criadora e realizadora. A arte só pode expressar a criatividade se houver verdadeira vontade, impulso e ousadia, livre de limitações impostas e oriundas das repressões sociorreligiosas. Arte é a capacidade de realizar a obra sobre si mesmo, de aperfeiçoá-la com vontade forte. Na filosofia oculta e no draconismo, arte é o conjunto de conhecimentos, capacidades e talento para concretizar ideias, sentimentos e visões de maneira estética e "viva" por meio de imagens (pintura, escultura), sons (música) e palavras (literatura). A verdadeira arte realizada através de thelema (vontade) está muito longe da pseudoarte grosseira, antiestética, de mau gosto e desonesta que "artistas" estereotipados e pedantes produzem sem nenhuma inspiração autêntica. A verdadeira arte se realiza sob vontade para manifestar porções do próprio Ser (a Individualidade luciférica).

Assim, no draconismo (ou gnosticismo ofita, ou luciferianismo, como se queira definir) os quatro pilares do conhecimento, como demonstrados aqui, sustentam o indivíduo e o conduzem ao autoaprimoramento, ao autoconhecimento e à evolução contínua...

Adriano Camargo Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, Draconismo, Mão Esquerda e é estudioso de simbologia e mitologia comparadas. Possui diversos livros publicados e escreve também para a Revista Universo Maçônico, para o Jornal Madras, para o site Morte Súbita, para o Zine Lucifer Luciferax e para blogs pertinentes. Contatos com autor pelo site: http://adrianocamargomonteiro.blogspot.com

Magia(k) Luciferiana


“Deixa que eu, junto a Ti sob a Árvore da Ciência, Repouse, na hora em que, sobre a fronde, hás de ver seus ramos como um Templo novo se estender!”.

Charles Boundelaire

O Luciferianismo possui uma ampla diversidade de rituais, sendo que cada denominação possui características próprias no modo de trabalhar sua parte ritualística. Devido às diferentes e numerosas influências as quais o Luciferianismo foi submetido, como pôde ser visto anteriormente, arriscaria dizer que a Magia(k) Luciferiana é uma das mais ricas que podemos encontrar dentro do Left Hand Path. Este capítulo será dedicado ao estudo da ritualística do Luciferianismo Tradicional, e algumas vezes será comentada também a visão Satânica sobre o assunto, para mostrar sua diferença.
A Magia(k) Luciferiana é essencialmente magia(k) interna, embora também seja utilizada a magia(k) externa em suas duas variações, a Hermética e a Cerimonial. O ritual hermético é aquele que é realizado solitariamente pelo praticante, enquanto que o ritual cerimonial é realizado em grupo, dentro de um Templo ou em um local dedicado às cerimônias. É um ritual mais complexo para ser realizado, pois envolve a utilização de armas mágicas, vestimentas e demais itens determinados em uma cerimônia já formulada para um certo fim, e que deve ser executada geralmente em dias, horários ou períodos determinados. Além disso, é necessário que o praticante esteja em contato com algum Templo ou grupo Luciferiano/Satânico para realizá-lo, pois é necessário mais de um indivíduo para sua execução.

O porque da ênfase na magia(k) interna vai ser mais facilmente entendido depois da explicação da diferença entre magia(k) externa e interna. A magia(k) interna é aquela que como o próprio nome diz, envolve mudanças no indivíduo, não apenas em seu estado de consciência, através da utilização de certas "técnicas" mágicas, mas principalmente no indivíduo como um todo. Ora, sendo o Luciferianismo uma filosofia que gira em torno do desenvolvimento do indivíduo até que este alcance a perfeição, nada mais lógico que o tipo de magia(k) preferencialmente utilizada seja a que envolva mudanças no próprio indivíduo. Afinal, quem não consegue mudar a si mesmo, menos ainda conseguirá mudar eventos a seu favor. Isto deve ser um pensamento constante na vida de um Luciferiano.

A magia(k) externa é aquela que envolve mudanças externas de acordo com a vontade do magista. A magia(k) externa tende a causar extremo fascínio nos praticantes, porém temos que lembrar que ela está subordinada à magia(k) interna, podendo apenas ser bem executada quando o praticante já possuir algum conhecimento e controle sobre si mesmo e assim, sobre o "mundo" que o cerca. A seguir comentarei algumas idéias polêmicas que giram em torno de um ritual satânico segundo a crença popular, além de passagens, simbologias e instrumentos utilizados.

Escrito por Lilith Ashtart - For my Fallen Angel HP

O Sacrifício sob a ótica Luciferiana


Neste tópico trataremos sucintamente a respeito de um tema muito polêmico que é a realização do sacrifício nos rituais Luciferianos e Satânicos. Não há como deixar de tratar deste assunto aqui, já que muitas vezes a mídia, pouco interessada em conhecer o assunto, vincula como sendo sacrifícios satânicos os rituais de outras crenças, como por exemplo, a quimbanda e o candomblé, ou mesmo o ato praticado por pessoas pouco saudáveis mentalmente, comprometendo toda uma filosofia. Este não é um tópico para defender o satanismo, classificando-o de “a boa filosofia”. É apenas um tópico que relatará os fatos como estes realmente são.

A visão Luciferiana a respeito do sacrifício não está relacionada à do sacrifício físico, mas sim do s crifício simbólico. Um Luciferiano sabe que o sacrifício físico é totalmente desprovido de sentido, não cooperando em nada para sua evolução. Sob a ótica Luciferiana, o sacrifício tem que vir de si mesmo, simbolicamente: o sacrifício de medos, costumes, idéias, sentimentos ou qualquer fator que interfira negativamente na descoberta ou realização de nossa verdadeira Vontade.

Sendo assim, o sacrifício não é apenas realizado pelo Luciferiano como parte de seus rituais, mas sim em todos os momentos de sua vida, por sua escolha.

Quase todos os grupos satânicos tratam desta questão. Apresentarei aqui a visão dos maiores expoentes de suas respectivas deno inações, embora nada deva ser generalizado. Esta é uma importante advertência, ainda mais quando tratarmos do Satanismo Tradicional.

O Satanismo moderno apresenta em sua obra básica, “The Satanic Bible” de Anton Szandor LaVey, um subtítulo dedicado exclusivamente a este assunto: “Sobre a escolha do sacrifício humano”. Neste texto LaVey critica o sacrifício tanto humano como animal alegando que um magista verdadeiro deve ser capaz de retirar toda a força necessária para um ritual de si mesmo, de seu próprio corpo, ao invés de através do sacrifício de uma vítima que não está ali por sua própria vontade. A visão sobre o sacrifício humano fica bem clara nesta passagem: “O uso do sacrifício humano em um ritual satânico não implica em ser o sacrifício utilizado para “apaziguar os deuses”. Simbolicamente a vítima é destruída através de trabalhos de feitiçaria ou maldição, que levam a uma destruição mental ou emocional do “sacrificado” de maneira que não seja atribuída ao magista.” Este enfoque em o ritual não ser utilizado para apaziguar os deuses têm sua explicação já mencionada anteriormente, quando tratamos das denominações Luciferianas. O Satanista moderno, não acreditando em um deus além dele mesmo, não atribui sentindo em um sacrifício realizado a alguém.

O assunto também é tratado no subtítulo “As onze regras satânicas da Terra”. Entre estas regras, as três últimas reafirmam o que foi dito acima.

No Satanismo Tradicional este é um tópico que requer certo cuidado para ser tratado, para evitar como dito acima, que ocorra generalização. Isto porque é aqui que se encontra a única exceção dentro do Satanismo que defende o sacrifício, a Order of Nine Angles (ONA). Embora ela seja o maior expoente do Satanismo Tradicional, não conheço nenhum outro grupo sério desta denominação que compartilhe da mesma visão. Eu mesma tenho a ONA como uma de minhas principais influências, embora não concorde apenas com sua visão sobre o sacrifício (minha visão é a Luciferiana), mas com outros pontos também. Muitos devem se perguntar: mas se não concorda com tantas coisas, como pode tê-la como influência?  E é nesta resposta que se encontra o exemplo da aplicação de muito que já foi discutido acima: eu não aceito uma visão por inteiro, sem questionar, mas antes filtro o que ela traz de útil em si para ser utilizado. Lembre-se que o que é útil para mim, nem sempre é para os outros, por isso apenas podemos julgar sob nosso ponto de vista, mas não como sendo a única verdade. É por isso que colocarei esta visão aqui, para que cada um julgue conforme a sua verdade, sendo que a minha já foi exposta acima.

A ONA trata do sacrifício em vários de seus manuscritos, tanto o animal como o humano, como por exemplo, em “A Gift for the Prince - A Guide to Human Sacrifice”, “Sacrifice”, “Culling - A Guide to Sacrifice I & II”, “Guidelines for the Testing of Opfers”, “Victims - A Sinister Exposé”, “A Complete Guide to the Seven-Fold Way”, entre outros. 

O sacrifício de um animal é visto como algo necessário para que o neófito realize antes de sua iniciação. Este animal, contudo, deve ser selvagem, e ser caçado com armas primitivas, sendo proibido o uso da arma de fogo. O mesmo animal deve ser consumido após sua caça. Com isso espera-se que o neófito sinta as adversidades, exercite seu pensamento e lógica, tenha uma variada quantidade de sentimentos, e consiga lidar com eles, desenvolvendo seu lado “negro” para sair do que é comumente experimentado no ordinário. 

Quanto ao sacrifício humano, eles o classificam em três tipos: os voluntários, os involuntários e aqueles que ocorrem, por exemplo, durante uma guerra. O sacrifício voluntário envolve uma vítima que se submete por sua própria vontade ao ritual, dedicado a Lúcifer ou à sua noiva na tradição satânica, Baphomet. Este tipo de sacrifício ocorreria a cada dezessete anos, em um ritual denominado de “Ceremony of Recalling”. O membro do grupo se ofereceria por acreditar que esta vida é apenas um portal para o acausal, que não apenas é importante saber como viver, mas também como e a hora de morrer, e que aquela seria este momento. O escolhido atingiria então o grau de Immortal, vivendo no acausal onde teria a função de atingir a mente dos não-iniciados.

Tratando-se de um sacrifício involuntário, as vítimas então seriam escolhidas não pelo desejo de algum dos participantes, mas principalmente através de testes que revelassem sua verdadeira natureza. As pessoas envolvidas não saberiam (logicamente) que estariam sendo testadas, e aquela que não correspondesse ao esperado seria a escolhida. Estes testes seriam como que incidentes que ocorrem no dia-a-dia, nos quais as qualidades pessoais deveriam se sobressair. Um dado importante encontra-se no manuscrito “Satanism, Sacrifice and Crime - The Satanic Truth” : a vítima nunca será uma criança. A explicação deste fato está em que é necessário que a pessoa tenha pelo menos o mínimo de idade para ser capaz de fazer suas próprias escolhas, e analisar suas conseqüências. Na ONA, a idade mínima para uma pessoa se tornar neófita é a de dezesseis anos, quando então ela já poderá começar a trilhar seu próprio caminho. Antes disso, embora haja cerimônias de batismo, por exemplo, será apenas uma simbologia utilizada pelos pais, mas a crença nunca deverá ser imposta no futuro, ela deve ser de única escolha do indivíduo.

Muitas histórias já ocorreram de problemas envolvendo as práticas de tais atos em diferentes países, principalmente nos Estados Unidos, alguns deles tendo ligação supostamente com a ONA. Digo supostamente, pois não posso afirmar a veracidade destes fatos, embora eles tenham vindo até o meu conhecimento. O fato é que entre os meios utilizados para este tipo de sacrifício estão as utilizações de três métodos: o primeiro através de magia, o segundo diretamente através do sacrifício da vítima em um ritual, e o terceiro através de assassinato ou “acidente”.

 O argumento utilizado pela ordem para justificar tais atos são vários, entre eles o de estarem eliminando os fracos e a “doença” do mundo, e que o que fazem não é criminal, já que o crime deveria ser julgado pela intenção da realização do ato, e não o ato em si. 

A intenção final seria a de conduzir esta energia que é liberada durante o sacrifício para um determinado fim, armazená-la em alguma peça, como por exemplo, um cristal, ou ainda deixá-la se perder pela natureza. O único manuscrito que diz que este sacrifício poderia também apenas ser simbólico é o “Sacrifice”, talvez já um escrito que responda de certa forma as conseqüências que um ato deste pode ter.


Escrito por Lilith Ashtart, 2001

Entrevista Adriano Camargo Monteiro


Adriano Camargo Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, Draconismo e é estudioso de simbologia e mitologia comparadas e membro de diversas Ordens. Possui diversos livros publicados sobre o caminho da mão esquerda e participa do projeto Morte Súbita com a publicação de artigos. Também escreve para a Revista Universo Maçônico, para o Jornal Madras, para o Zine Lucifer Luciferax e para outros sites.

Conte um pouco sobre sua história. Como nasceu seu interesse pelas artes ocultas?

Sempre, desde criança (pelo que me lembro), fui atraído pelo sobrenatural, pelo mistério, por segredos e pela "aura misteriosa e oculta" das coisas. Assim, sempre busquei as manifestações culturais que refletissem isso, seja na arte, na

úsica, na literatura, no cinema, etc. Desse modo, fui me aprofundando nos estudos, buscando livros “estranhos”, ingressando em Ordens e Escolas e praticando conforme fosse possível.


Fale um pouco sobre suas obras.

Minhas obras podem ser lidas (e estudadas) aleatoriamete, porém a obra Sistemagia é mais avançada sob o aspecto prático da Magia, requer discernimento, visão ampla, heurística, raciocínio analógico e capacidade autossuficiente de aplicar seu conteúdo. A Revolução Luciferiana pode ser introduzir o estudante ao assunto, fornecendo também alguns rituais e apresentando-lhe ideias novas, se for o caso. A Cabala Dracon ana amplia os conhecimentos sobre o assunto. Contudo, as três obras citadas são importantes, cada uma abordando um aspecto distinto da Magia (abrangendo ciência, religião, filosofia e arte).

Para você o que é Magia?

Magia é um meio de tornar um indivíduo melhor em todos os aspectos, de ir além do comum e corrente; é um meio de autodesenvolvimento e evolução do Eu.


Como suas práticas ocultas influênciam no seu contidiano?

 O conhecimento adquirido é aplicado no cotidiano conforme seja requerido e conforme seja possível, já  que nem todo conhecimento oculto convém usar na vida comum, devendo ficar “oculto” na intimidade autoconsciente do magista e de seu círculo “secreto”, de seu templo de Magia.

Você acredita que a Magia traz em si uma armadilha pela idéia de que estalando os dedos possa conseguir qualquer coisa?

Nesse sentido sim, há pessoas que “caem’ numa armadilha e que se decepcionam, pois a Magia de fato não é para toda e qualquer pessoa, e aqueles que não têm continuidade de própósitos, compreensão e vontade verdadeira sucumbem e são afastados por si mesmos dessa Via. Ou seja, a Magia e a Filosofia Oculta não são para meros curiosos ou interesseiros; de fato, a Magia e o Oculto se guardam a si mesmos.

Fale um pouco de sua visão sobre Deus.

 “Deus” realmente pode ter muitas definições, e eu mesmo não me fixo em uma única. Conforme nosso conhecimento e experiência se expandem e se desenvolvem, nossa ideia de Deus também se modifica, pois nossa visão e conceitos sempre serão baseados em nossas experiências. Deus/a em primeiro lugar é para mim o meu Logos individual, meu Eu verdadeiro (não a personalidade comum e corrente que se manifesta no cotidiano social). Como psiconauta científico, Deus também pode ser definido como sistema nervoso, mente expandida, consciência supranormal, etc. Enfim, as definições de Deus podem ser muitas, mas jamais devem ser dogmáticas e fundamentalistas.

Quem é Lúcifer para você? Existe diferença entre Lúcifer e Satã?

Em primeiro lugar, Lúcifer e Satã não são o Diabo. Tanto Lúcifer como Satã têm seus equivalentes em outros povos, em outras mitologias, etc., e jamais podem ser vistos como coisas diabólicas, pois o Diabo não existe.
Tradicionalmente Lúcifer é o Portador da Luz, Luz essa que só pode ser vista sobre o fundo negro das Trevas. Portanto, as Trevas são essencias para a manifestação da Luz (que jamais pode ser total e absoluta, pois se fosse assim, essa Luz nos tornaria cegos, sendo necessário, portanto, a interação da Luz com a aconhegante e repousante Noite). A Luz de Lúcifer é a luz da inteligência, da autoconsciência, da mente expandida, da sabedoria (Sophia) humana, sobre-humana, natural e cósmica. Lúcifer é o Eu, o Logos individual, o Deus/a de cada um, com todas as atribuições mencionadas, que se manifesta no Iniciado e para o Iniciado.

Satã tem diversos nomes, tais como Shaitan, Set, Saturno, Shiva, o destuidor das Ilusões do mundo comum e corrente e detestado exatamente por isso! Daí ser ele o “Adversário” das massas condicionadas e inconscientes no mundo prosaico, presas às Ilusões e na estagnação. Satã também é a força impetuosa que impulsiona o indivíduo a progredir, é a força agressiva para enfrentar as dificuldades da vida material, para enfrentar os problemas do mundo, para transpor as barreiras que nos impedem de crescer, de aprender. Satã é a força que agrega todos os nossos instintos (de sobrevivência, de fome, de reprodução, de busca pelo prazer, etc.) para que possamos vivenciar todos os tipos de experiências que são assimiladas pela Individualidade, pelo Eu.

Mas tanto Lúcifer quanto Satã têm seus símbolos, personificações, zoomorficações, tipificações, arquétipos, etc.

O que você acha do inferno?

O inferno não existe como as pessoas comumente entendem (ou existe, se elas querem acreditar numa ilusão forjada). “Inferno” simplesmente quer dizer “o que está embaixo”, “inferior”. E aquilo que é inferior depende muito do referencial e do ponto de vista de cada um, com suas devidas justificativas e idiossincrasias. Para mim, o inferno pode ser este mundo se eu vivenciar experiências que considero inferiores. Assim como o paraíso também pode ser este mundo se eu vivenciar experiências que eu considero superiores, prazerosas, gratificantes, não importando os dogmas, os fundamentalismos e as limitações alheias. Os deuses de um povo são diabos para o inimigo desse povo; o céu de alguém (ou de uma religião ou dogma) pode ser o inferno para outra pessoa... É o que de fato ocorre...

Quais suas fontes de inspiração e consulta para escrever seus livros?

De modo geral, minhas inspirações vêm da observação e experiência, mas para confrontar dados e certas informações, para estimular insights, ou pelo prazer do conhecimento, leio de tudo (força de expressão, pois ninguém é capaz de ler tudo o que existe). Entretanto, dou preferência para obras de filosofia oculta em geral, religiões comparadas, grimórios, simbologia, mitologia, mas também filosofia acadêmica, ciência e “pseudo”-ciência (fringe science), psicologia, literatura clássica, artes.
     
O que falta para a cena ocultista nacional?

Mais ousadia, mais vontade, mais autores ocultistas e livre-pensadores, mais escritores livres de dogmas, mais estudiosos e praticantes sérios e com continuidade de propósitos.

Como você aprecia o trabalho de Aleister Crowley?

O trabalho de Crowley teve muito impacto e importânica na filosofia oculta ocidental, trazendo coisas até  então não muito exploradas pelos ocidentais urbanizados e abrindo terreno para mais explorações e desenvolvendo certos conteúdos, práticas e conceitos da Magia. Mas, é claro, que nem tudo o que ele fez pode ser aproveitado por todo e qualquer indivíduo. Há coisas que são muito pessoais e particulares e que serviram apenas para ele. Infelizmente, o que existe ainda hoje é uma falta de discernimento e de seletividade com relação à obra de Crowley. Isso pode ser evidenciado num afetado crowleyanismo que pode ser visto em thelemitas (ou falsos thelemitas, pois suas vontades parecem ser a do Crowley) fundamentalistas por aí afora.

Qual sua opinião sobre o satanismo moderno, tal como exposto por Anton LaVey?

Como em tudo na vida, é preciso peneirar. LaVey apresentou ideias úteis que servem para qualquer indivíduo que queira viver mais livre e cuidar melhor de si, buscando os prazeres sem medo, sem as ideias de culpa, pecado e condenação que permeiam a grande parte da sociedade. Apresentou ideias que deveriam ser o normal para qualquer pessoa que busca melhorar a si mesmo de maneira consciente e deliberada. Por outro lado, o satanismo de LaVey parece se apegar às ideias judaico-cristãs, buscando combatê-las por oposição dentro dos próprios dogmas judaico-cristãos. Ou seja, o satanismo laveyano tem como referencial os próprios dogmas que busca inverter, o que acho descenessário quando já não se vive sob o látego desses dogmas religiosos; não há o que renunciar quando não se acredita nos dogmas vigentes, quando não se vive sob eles. Uma renúncia implica em abandonar algo com certo sacrifício, sendo assim não há o que abandonar quando alguém já não segue os dogmas, não há grilhões para se desfazer se a pessoa já é livre disso. Portanto, o referencial dogmático judaico-cristão como objeto de blasfêmia sistematizada é desnecessário e sem sentido para qualquer indivíduo livre, pois um blasfemo só pode ser alguém que vive dentro desse dogma e que já tenha acreditado nele, e que num determinado momento se volta contra ele. A inversão do dogma religiosos demonstra uma certa crença nesse dogma e uma necessidade de libertação (pois ainda não se é livre) pelas mais variadas razões. O ideal é ignorar o dogma, monstrando que ele não tem qualquer importância (e se defendendo de ataques, quando necessário, logicamente). Os dogmas religiosos não têm qualquer importância na intimidade daquele é livre e segue apenas sua Vontade.

Há  também os adolescentes satanistas “de farmácia” imaturos que não sabem nada sobre o assunto nem sobre o que querem atacar ou se revoltar. Preferem “brincar” de fazer terror sem qualquer embasamento ou discernimento, mas da Magia e do Ocultismo de verdade, e com responsabilidade, eles nem chegam perto.

Quero ressaltar também que o LHP (o Caminho da Mão Esquerda) não é satanismo, como muitos pensam, mas sim uma Via que valoriza sobretudo a mulher, o sexo (a magia sexual em contexto ritualístico) e as sombras (forças do subconsciente) como repositório de conhecimento oculto e expriência que dever ser buscado, empreedendo a prática da filosofia oculta, invocações, evocações, etc.

Muito da cultura luciferiana no Brasil ainda está presa à cultura afro. Livros como o de São Cipriano são muito populares em terreiros, inclusive pela temática folclórica. Como você enxerga estas relações?

O luciferianismo (ou draconismo) é bastante abrangente exatamente porque busca o conhecimento em todas as suas formas e graus, na medida em que isso seja possível. Porém, há necessidade de discernimento quando se está iniciando nessa Via. E arquétipos ou manifestações luciferianas sempre existiram em todos os povos, em todas as culturas e mitologias do mundo, desde a Antiguidade. Mas não considero que os livros mencionados, ou outros de orientação semelhante, sejam pura e autenticamente luciferianos, apesar de serem úteis como bagagem de conhecimento de todo estudioso.

 Tente encaixar as suas crenças na moral social vigente. Você  usa termos negativos e positivos, "bem" e "mal" em sua crença?

Depende do ponto de vista, do conhecimento individual e da experiência. Por exemplo, o Deus que muitos consideram bom, outros consideram a verdadeira malignidade, e assim por diante. É claro que há muitos equívocos coletivos sobre isso e muitas inversões de valores. Mas eu uso esses termos, sem qualquer dogmatismo, para indicar aquilo que me prejudica (mal) ou prejudica outros gratuitamente de algma maneira, ou para indicar aquilo que me traz prazer, saúde, alegria, conhecimento, etc. (bem). Porém, a questão do mal é muito complexa e vai além do mal ordinário, corriqueiro e comum perpetrado por pessoas desprezíveis, cruéis e atrasadas no mundo e que abunda nas lamentáveis notícias. Essa questão está além dos clichês e dos dogmas, está mesmo em “regiões” do conhecimento ininteligíveis para as grandes massas, em “regiões” em que o mal é entendido de outra maneira, numa dimensão ancestral, cósmica e primeva, sem qualquer ligação com as ideias equivocadas sobre diabo e inferno.

Quais seus planos para o futuro? Algum livro novo em vista?

Mais dois livros para serem lançados pela Madras Editora, possivelmente em 2010. Um é sobre ritualística e o outro é de orientação mais filosófica.

Uma palavra final para quem está começando agora?

Busque o conhecimento, estude bastante, leia obras sérias e diversificadas, compare os autores, pratique e vivencie a teoria por meio da experiência individual. Enfim, liberte sua mente, revolucione sua consciência!

Manifesto Luciferiano


Lúcifer, o “Anjo” Luz que se fez Deus e que a “grata sorte” expulsou dos altares, é muito mais do que uma lenda cristã sobre anjos vaidosos e invejosos que queriam se tornar deuses. Sua Divindade surgiu em centenas de culturas muito antes do judaísmo ortodoxo, do cristianismo (cristismo) e do islamismo iniciarem suas destrutivas doutrinas castradoras e misóginas. Culturas e religiões de massa que perpetuaram séculos de ignorância e de trevas, fomentando diferenças e alimentando guerras e destruição até nossos dias.

Não nos importa muito se há uma crença em sua existência imaterial e antropomórfica ou se a crença e o culto se destinam aos arquétipos fundamentais que Lúcifer representa, ou ainda, se alguma outra vertente filosófica, assim como a nossa, atribui a Ele outras origens ou “definições”.

Notamos que há uma série de características comuns entre as correntes assumidamente Luciferianas, desde o gnosticismo da Luz praticado por alguns adeptos do LHoodoo, até o extremismo religioso defendido por alguns expoentes visionários.

Obviamente os poucos esclarecimentos que prestaremos no opúsculo abaixo parecerão contraditórios aos olhos dos filhos de um logos morto.

As pessoas que nos condenam sem nos conhecer, os indivíduos que nos criticam imersos em lagos turvos de ignorância e os escravos qu sempre servirão, esses em suas obtusidades e fraquezas nos estranharão ainda mais, pois verão que não somos a inverdade que suas crenças pregaram durante milênios.

Pela Serpente, pelo Dragão, por Nossa Typhon, por Nossa Kali, por Nossa Luz e por nossas Trevas...

O que é ser Luciferiano? Quais são nossas principais características?

Em primazia, ser Luciferiano é ser Você mesmo.

É você ser aquilo que é por Essência, desde que você a conheça e que tenha atitude verdadeira e positiva para lapidá-la continuamente. É Lapidar você mesmo.

É buscar pelo conhecimento verdadeiro de sua própria Essência, pois a mesma está comumente adormecida e fragmentada no indivíduo comum e é preciso conhecimento e ação para reunir seus elementos espalhados e concentra-los num único ponto de contração e densidade máximas.

É procurar entender o mistério da Verdadeira Vontade para buscar sua realização plena ao invés de viver (sobreviver) imerso numa ilusão flutuante de pecado e compensação, de alternações entre alegria e dor. É Saber o que verdadeiramente quer ao invés de ser arrastado por modismos, opiniões alheias e imposições implícitas dos veículos alienadores de comunicação.

É Amar ao Máximo o Ser Humano (ou Sobre-Humano) mais próximo de você, ou seja, Você Mesmo. É nutrir uma auto-estima sóbria, sem narcisismos inúteis e que competem contra a sua própria evolução.

É saber ser Individualista e respeitar a individualidade dos outros, mas jamais a ponto de se tornar um câncer nos círculos que freqüenta, mesmo que aperiodicamente. É entender que cada ser humano é suficiente para si e lutar pela própria independência nos vários níveis de sua própria existência e constituição.

É buscar a realização daqueles a quem você verdadeiramente ama para que eles possam te compreender e te complementar como pares de opostos o fazem.

É saber Amar sem baixa paixão e saber se “apaixonar” sem amor, ou seja, é amar sem exigir nada em troca e sem se deixar levar pelas variações excessivas de sentimento, emoção ou paixão, mas é também saber se entregar quando verdadeiramente quiser. É saber gozar dos prazeres sem envolvimentos frívolos e emocionais quando isso está de acordo com a verdadeira vontade. É fazer cada ato de amor um ato mágicko.

É buscar se tornar absolutamente livre das contaminações de massa. É entender o propósito de tudo aquilo que é administrado aos rebanhos e entender o que a cultura e a religião de massa realmente significam para poder se afastar de ambas.
   
É você buscar se auto-realizar ao máximo, nutrindo um orgulho sadio ao invés de um comportamento excessivamente altivo e petulante. É você verdadeiramente agir para se realizar ao invés de ver o tempo passar pelos vãos de seus dedos como a areia de uma velha ampulheta que se quebrou.

É buscar por intensificar, em extensão e profundidade, seus conhecimentos, sua sabedoria e sua experiência. Não basta saber das superficialidades. É preciso saber relacionar causas aos seus efeitos. É preciso desenvolver sentidos superiores, sabedoria sóbria e experiência progressiva nos mistérios da Vida e da Iniciação.

É saber escutar críticas e procurar entende-las de maneira produtiva ao invés de fomentar adversidades inúteis e banais que satisfazem seu ego de vidro.

É entender a importância da arte e da cultura e buscar conhecer e vivenciar as experiências que as mesmas fornecem.

É buscar o fortalecimento do intelecto ao invés de se contentar com a frivolidade do conhecimento oferecido pelas instituições regulares de ensino. É procurar conhecer o que outras mentes pensaram, como pensaram, porque pensaram e como influenciaram o mundo com suas idéias.
É saber controlar seus sentimentos e emoções de maneira sadia (transformar/transmutar energias) sem se prejudicar em nenhum nível de sua constituição. É não agir movido por impulsos selvagens e primitivos. É entender que na transmutação dos elementos pode-se obter ouro ou chumbo (algumas vezes, literalmente).

É saber entender os movimentos dos astros e suas influências. Não somente na astrologia, na astronomia, na astrofania e na astrosofia, mas entender que cada ser Humano é um Astro que possui um trajeto que lhe é particular, que sua proximidade com outros astros gera relações em vários níveis, que um astro pode atrair ou repelir o outro, pode até mesmo consumi-lo. É se esforçar para entender como se dão essas relações no alto e no baixo.

É saber amar a tempestade e a calmaria com a mesma paixão de um animal que caminha sobre quatro patas. É respirar o ar puro dos prados e se alimentar do prana. É não maldizer a natureza. É entendê-la e procurar mantê-la.

É você buscar entender e vivenciar sua irracionalidade e os processos com ela envolvidos (ressurgimento atávico/primitivismo). É saber que somos animais e que, submersos no calabouço destrancado de nossa psique, repousam demônios famintos e sedentos. É saber lidar com eles e traze-los à Luz. É caminhar pela rede caótica de túneis de nossa inconsciência e fazer ressurgir aquilo que adormece sob oceanos agitados dormindo sem sonhos.

É não ser conveniente com o comportamento de rebanho e saber agir e pensar por si próprio. Um Luciferiano não está sob a ação de nenhuma inteligência superior que não seja a dele. Um Luciferiano não sobrevive como uma ovelha na engorda esperando pela tosquia ou pelo abate. Um Luciferiano procura identificar, combater e se afastar dos matadouros espirituais.

É não acreditar em estórias de pregadores ou em milagres. A maioria dos pregadores tenta transmitir a própria interpretação dos mistérios, pretendem reunir cordeiros para seus rebanhos, cifras para seus cofres... Milagres anunciados são sinônimos de falácias.

É você buscar o entendimento do universo que o cerca e o entendimento de sua própria individualidade universal e suas inter-relações. Você como Microcosmo, como pequeno universo deveria procurar entender seus próprios mecanismos de funcionamento e quais são suas principais relações com o Grande Universo (Macrocosmo) e suas relações.

É você não se deixar levar pelos outros, pelas idéias de outros, por aquilo que os outros fazem. É não esquecer de quem você é e daquilo que você acredita para seguir colegas ou amigos. É manter seus pontos de vista e suas decisões sem se preocupar com que os outros dizem ou pensam ao seu respeito.

É procurar entender seus instintos primordiais e satisfaze-los de forma consciente, buscando prazer responsável e sadio ao invés de se envolver compulsiva e freneticamente com toda e qualquer espécie de oportunidade lasciva ou concupiscente. É saber se controlar quando é preciso e saber deixar a própria instintividade aflorar quando necessário. É gozar em plenitude da maneira que melhor lhe aprouver sem desperdícios nefastos, não importando a fonte ou particularidade de seus prazeres.

É ter responsabilidade social ao invés de ser compassivo. A compaixão, ao contrário do que dizem, é um vício. Confundiram-na com a virtude para corromper a integridade do forte e para dar mais argumentos para a mendigagem dos fracos e para a exploração das massas. É uma “contra-virtude” contra a superioridade e a divindade comuns aos seres humanos que buscam ascender. Não se deve confundir a ausência de compaixão com a tirania ou com o egoísmo exacerbado que conduzem também ao obscurecimento. É mais produtivo ajudar as pessoas aprenderem a alcançar seus objetivos ao invés de lhes dar esmolas – mais produtivo e digno.

É buscar pelo entendimento das relações humanas tais quais elas são e procurar a melhor maneira de enfrentá-las de maneira positiva e que sempre lhe sejam proveitosas. As relações humanas podem ser áridas e o conhecimento de nós mesmos nos ajuda a entendê-las.

É não aceitar dogmas impostos tácita ou explicitamente. As verdades fundamentais e “imutáveis” pregadas por pastores de rebanho podem simplesmente não existir. Há pastores cegos e cegos sendo guiados por cegos. Dogmatismos são contrários à evolução humana, pois implicam etimologicamente em não discussão e em ausência de questionamento.

É questionar sempre, refletir e raciocinar sobre o objeto em questão ao invés de aceitar teorias e explicações, mesmo que essas lhes sejam transmitidas por pessoas de extrema confiança como seus pais. Boas intenções não bastam para calar o questionamento, a reflexão, o raciocínio e a inteligência superior particulares do Luciferiano.

É não desperdiçar energia com processos involutivos. É deixar de lado a verborragia acerca de pessoas e de atitudes alheias que não lhe dizem respeito. É não ajudar em causas que não lhe trarão evolução ou proveito. É saber se colocar como indivíduo pensante frente às imposições de familiares, amigos, sociedade, etc.

É buscar o entendimento universal da transformação de energias. É saber que toda forma de energia pode ser transformada em outra através do método adequado e da técnica apropriada. É saber reconhecer a energia potencial e visualizar como utiliza-la em seus processos interiores e exteriores. É saber que cada ação gera uma reação que lhe é proporcional e proporcional à energia empregada. É saber o ponto onde utilizar sua alavanca para mover o universo.

É fazer florescer sua sabedoria divina como Ser Criador de seu próprio Universo ao invés de se submeter às correntes ignorantes e massificadas da cultura e da religião das marionetes.

É não ser inocente e ser amoral (não imoral). A inocência nos priva da vida e de seus prazeres e nos torna presas fáceis, sejamos então predadores e não inocentes. É não estar preso a nenhum código de conduta moral para ser aceito na sociedade, é novamente ser você mesmo, livre, único e sempre em transformação e evolução constante.

É não se deixar levar por correntes incoerentes de pensamento. Muitos “macacos-papagaios” procuram alastrar cadeias viciosas de pensamentos incongruentes e vis que só visam reunir outros símios acéfalos em suas congregações de idiotice para o próprio sustento de seus egos ou de suas contas bancárias.

É se esforçar para conhecer as Ciências e as Artes da existência como um fenômeno completo, complexo e fabuloso em suas várias acepções. É saber apreciar os pilares fundamentais da Arte e buscar pela experiência que ela pode causar internamente.

É saber discernir o que é verdadeiramente certo e errado para si próprio, saber entender quais são os efeitos de suas ações em si, para si, ao seu redor e nos que lhe são caros e saber agir da maneira menos prejudicial possível.

É não condenar aquilo que desconhece (a pior crítica é aquela que surge da ignorância).

É combater a ignorância, a preguiça viciosa, a inércia da não transmutação, a falta de ousadia...

É se afastar daquilo que te prejudica de maneira consciente e saber quando e como se aproximar sempre que necessário.

É procurar não insistir no mesmo erro, buscando sempre no erro a base para os próximos acertos. Novamente, saber relacionar adequadamente as causas aos seus efeitos e saber que nenhuma causa pode ser impedida de seu efeito.

É buscar o entendimento balanceado entre Magia, Ciência, Filosofia e Religião em suas acepções superiores.

É buscar um entendimento sobre sua própria Sombra, procurando pelas respostas que jazem ocultas no lado obscuro de seus planos interiores. É buscar os demônios que aguardam no limiar de sua consciência pelo momento certo para despertarem. É se conhecer por inteiro em sua androgonia oculta.

É não nutrir preconceitos, não importando quais eles sejam. Discriminar outros seres humanos por serem diferentes de você não o tornará uma pessoa melhor, pelo contrário, conceitos prévios baseados em resquícios culturais moralistas e hipócritas revelam somente o embrutecimento. Lembre-se de seus pesadelos, sonhos e desejos inconfessáveis antes de julgar e condenar.

É saber ouvir no mínimo duas vezes mais do que falar e saber ouvir e saber falar. A palavra é também ação, falar excessivamente é desperdiçar energia. É ser claro e assertivo ao falar. É saber falar para dizer ou para revelar.

É não procurar agradar a maioria e também não procurar desagrada-la. É simplesmente respeitar e ser respeitado por aquilo que é e por seu caráter superior, sem altivez exacerbada ou narcisismos inúteis e ridículos.

É procurar a maturidade emocional superior, mas sem impedir os processos naturais que o levam a isso. É enfrentar suas crises e seus momentos ruins e tentar entender como se desencadearam, é saber sentir as dores necessárias e evitar as desnecessárias.

É jamais se desviar de problemas ou dificuldades, jamais buscar atalhos para tarefas que precisa realmente realizar.

É vencer as próprias batalhas e saber respeitar o que deve ser respeitado.

É cultivar um caráter superior ao invés de procurar a promoção e o prestígio das pessoas que estão ao redor.

É não falar demasiadamente, principalmente sobre pessoas. Indivíduos inteligentes trocam idéias, criticam, questionam, interagem produtivamente. Até para jogar conversa fora é preciso ter limites.

É saber gozar de todos os prazeres da carne, do espírito, do intelecto, da arte, da ciência, da natureza, da magia ou outros da maneira que julgar melhor e saber fazer o julgamento próprio sobre aquilo que é o melhor para si e para aqueles que você ama.

É encontrar, através de sua própria sabedoria, qual é o melhor caminho que deve ser seguido e demonstrar praticamente que você possui longas e poderosas asas e sabe como utiliza-las.

É você buscar saber o que há de errado no mundo e saber fazer suas próprias escolhas.

É enxergar além daquilo que os olhos enxergam na Luz e nas Trevas e por elas caminhar e voar tranqüilamente.

É saber como caminhar e como se preservar em todos os territórios, tanto aqueles que estão em paz quanto aqueles que estão em guerra.

Pharzhuph, Frater Nigrum Azoth, Lucifer Luciferax II

Luciferianismo


Eu tenho observado o Luciferianismo sendo caracterizado como satanismo ateu, satanismo cristão, e as vezes coisas bem piores. O "Luciferianismo" está se tornando rapidamente uma palavra conhecida, e ainda mais incompreendida.

Neste texto, irei apresentar mostrar da melhor maneira possível, seu verdadeiro significado.

Lucifer não é Satan, como muitos acreditam. Mesmo no Cristianismo, Lúcifer e Satan são entidades diferentes, sendo Lúcifer o " Diabo" mais poderoso, e Satan sendo o segundo no comando infernal. Lúcifer é constantemente identificado como Portador da Luz , a Estrela da Manhã, a última a desaparecer ao nascer-do-sol. Lúcifer, antes de tudo, é sinônimo de orgulho. Na mitologia cristã, Lúcifer era um anjo perfeito, o mais poderoso depois do Deus cristão. Enquanto servia a Deus no paraíso, Lúcifer secretamente desejava, não usurpar, mas possuir os mesmos direitos de seu "superior". Lúcifer utilizou sua sagacidade e perfeição para conseguir o apoio de um-terço dos anjos celestiais. Por causa disto, foram atirados em um abismo de sofrimento, conhecido por inferno. Assim sendo, Lúcifer não aceitou se subornar a Deus, e preferiu reinar em seu próprio domínio. Satan, por outro lado, era o acusador. Satan significa o adversário. Mas mitos ou dogmas importam pouco.

O Luciferianismo não é ateísta. Luciferianismo é essencial ente um tipo de Satanismo, e mais: um significado para conhecimento, verdade, excelência e grandeza. Um luciferianista acredita que há algo que permanece oculto, algo que precisa ser compreendido, algo que precisa ser utilizado, e mais importante, que eleva o "self" a um nível mais alto e mais organizado. Em uma visão espiritualista, o luciferianismo tenta identificar estas forças escondidas dentro de nós mesmos. Lúcifer é apenas um nome dado para representar algo que ainda não conseguimos compreender inteiramente, e de que somos parte. Satanistas tradicionais chamam esta existência de Satan. "Satan" é limitado. Se os satanistas querem desbancar o Cristianismo, eles não podem ser apenas um adversário para este. Inverter os dogmas de religiões inimigas, é dar a elas o controle das nossas. Em todo contexto, Lúcifer é aquilo que seu nome significa; ele é a iluminação, o orgulho, muito mais que um adversário. É como Lúcifer que escolhemos chamar essa força superior, pois é o que melhor nos representa. Como qualquer magista negro irá dizer-lhe, um nome é um modelo para si próprio, para o que e quem você é ; é um complexo de coisas reduzido a uma palavra.

Filosoficamente, o luciferianismo é muito parecido com o satanismo tradicional da "Order of Nine Angels". A excelência não é algo pronto, é algo que se constrói, e é para onde se voltam os ideais luciferianistas. Um luciferianista acredita em Lúcifer, e se identifica com ele. Um luciferianista está sempre pronto a mudar de direção, para coisas maiores e melhores, para saber mais, para se tornar melhor. Força é a maior dos objetivos, o resto vem com ela. O Luciferianismo procura o engrandecimento, para uma evolução pessoal. Luciferianismo é na prática, o que o satanismo é para muitos na teoria. A maior chave do Luciferianismo é simplesmente proporcionar a melhor maneira para conseguir sua própria evolução.

O Luciferianismo não é nem satanismo ateísta, nem satanismo cristão. A filosofia luciferianista gira em torno de orgulho e conhecimento. Um luciferianista sabe reconhecer os limites, e ocupa sua vida tentando quebrá-los. Não importa como as pessoas criticam o luciferianismo...é impossível entendê-lo até não viver essa experiência. Luciferianismo é uma distinção do Satanismo, uma inovação e não uma condenação. O luciferianista é um tipo de satanista, aquele que focaliza o crescimento e o orgulho, menos que a oposição. Satanismo é uma religião, Luciferianismo é uma religião, embora muitos satanistas não se considerem como religiosos. Estes são os que se denominam satanistas apenas porque " é legal", ou porque assusta as pessoas. O satanismo desta maneira não é nada mais do que uma versão camuflada do Humanismo. Há uma diferença entre o Humanismo e o Luciferianismo. Humanismo olha o homem como a medida de todas as coisas; Luciferianismo coloca o potencial como a medida de todas as coisas. Pseudo-satanistas vivem apenas o dia, o aqui e agora; Luciferianistas e Satanistas Tradicionais consideram essa atitude como anti-evolucionária e anti-defensiva. Como alguém pode evoluir se o futuro não está em sua mente? Evolução é uma meta, e para isso, devemos viver pensando em todos os momentos.

Luciferianismo é um tipo de espiritualidade. Uma crença em uma existência maior. Nós não nos escondemos atrás de um símbolo, mas vivemos o significado deste. Luciferianismo é um nível superior do entendimento, e um nível superior de nós mesmos.

Luciferian Church